“Boom Sônico” causado por passagem de aeronave intriga moradores da região; Professor de Física da Escola Idalina explica o fenômeno
O chão tremeu em Bariri e região na manhã de quarta-feira (26). Moradores de vários bairros relataram, por volta de 10h40, terem ouvido uma “explosão”, seguida por um tremor de terra de baixa intensidade.
A equipe do Noticiantes, que estava na redação do jornal (localizada à avenida Perimetral Prefeito Domingos Antonio Fortunato) no momento do estrondo, ouviu o ruído e sentiu o tremor. Nossa reportagem recebeu relatos de trabalhadores do Distrito Industrial que também constataram o barulho, além de moradores do Jardim Yang, Centro, Jardim Umuarama, Núcleo 1 e outras diversas regiões. Alguns munícipes disseram que portas e janelas de vidro chegaram a chacoalhar.

O Corpo de Bombeiros de Bariri e Defesa Civil não tiveram registro de nenhuma ocorrência. Moradores de municípios da região, como Ibitinga, Itaju, Arealva, Tabatinga, Boraceia, Iacanga, Reginópolis e Nova Europa, sentiram o tremor e ouviram o ruído.
Em nota enviada à imprensa, o Corpo de Bombeiros de Ibitinga, um dos municípios que mais sentiu o fenômeno, esclareceu o mistério: o ruído foi causado pela passagem de uma aeronave Caça F-39 Gripen pela região, que rompeu a barreira do som. O fenômeno é chamado de “Boom Sônico”, muitas vezes confundido com trovão ou até mesmo explosão.

A aeronave teria decolado da base da Embraer em Gavião Peixoto-SP. O local é um importante centro de testes, destacando-se pelo aeródromo com a pista mais longa das Américas, utilizado para ensaios de diversas aeronaves.
Em entrevista à nossa reportagem o professor de física Diogo Augusto Justino de Oliveira, graduado em Licenciatura Plena em Física pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), explicou o fenômeno físico que intrigou toda a região.
“O avião caça que passou pela região, rompeu a barreira do som próximo de 340 m/s ou 1.224 km/h – o que faz com que as moléculas de ar, na frente e em volta do veículo, sejam arrastadas de forma muito rápida e em alta energia cinética em forma de cone. As moléculas de ar, em arrasto aerodinâmico, principalmente na frente do caça, são violentamente comprimidas, liberando um estrondo de som próximo ao de um trovão, quando a descarga elétrica do raio corta o ar, um material isolante elétrico”, explanou Diogo, que ministra aulas de Física, Química, Educação Financeira, Empreendedorismo, e Biotecnologia nos períodos da manhã e noite, na Escola Estadual Profª Idalina Vianna Ferro, de Bariri.
Segundo o docente, no caso do chamado “boom sônico”, o estrondo do som no ar se espalha por todo o ambiente à sua volta, atingindo a superfície sólida (o chão), causando uma reverberação (fenômeno acústico causado pela reflexão múltipla e contínua das ondas sonoras em um ambiente fechado, onde os ecos se misturam ao som original, prolongando a sensação auditiva).

“A reverberação pode lembrar um abalo sísmico (terremoto), mas com causa diferente das ondas sísmicas do interior da Terra, vindo do jato do motor do caça e das moléculas de ar altamente comprimidas na atmosfera”, completa o professor.
















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