Dia do Radialista: Paulinho Camilo fala sobre sua jornada de 37 anos no rádio
Nome completo: Paulo Eduardo Camilo de Oliveira
Idade: 56 anos
Naturalidade: Arealva-SP
Formação acadêmica: Muitas. Radialista formado pelo SENAC em 1987, Direito, Gestão Pública, Licenciatura em História, pós graduado em Direito Constitucional, Direito Administrativo, Ciências Políticas, e outras. Na verdade, nunca parei de estudar. Ainda continuo estudando.
Função: Jornalista e Noticiarista no Sistema Belluzzo de Comunicação.
Noticiantes: Como e quando surgiu a sua história no rádio? Além do Sistema Belluzzo, por quais outras emissoras já passou?
Paulinho Camilo: Comecei no rádio em 1988 na cidade de Cáceres, Mato Grosso. Recém saído do seminário, fui com meu pai na fazenda que ele tinha na cidade de Cáceres, eu tinha 19 anos nessa época, e resolvi fazer um teste por lá. Após o teste, fui aceito para fazer um estágio de 30 dias na Rádio Jornal de Cáceres. Passaram-se 30, 60, 90 dias até que fui perguntar para o gerente da rádio sobre minha permanência ou não com eles, quando fui realmente contratado e comecei a minha história. De lá pra cá nunca mais parei. Fiquei em Cáceres até 1993, sempre na rádio Jornal, mas, concomitantemente, também cheguei a trabalhar em uma TV local, a TV Pantanal, afiliada na época à TV Manchete. Na televisão fui repórter de rua, apresentador de telejornal, editor chefe e até narrava futebol. Depois que voltei pra São Paulo tive uma rápida passagem pela rádio Jauense e depois pela Clube de Bariri. Em 1º de abril de 2000 comecei no Sistema Belluzzo de Rádio onde permaneço até hoje.
Noticiantes: No Sistema Belluzo, você é âncora de um programa que vai ao ar de madrugada. Como surgiu essa ideia e qual é a recepção do público?
Paulinho Camilo: Foi o Neto Belluzzo que me pediu pra substituir o Isaías Santos, que era o locutor do horário. Como eu sempre comentava com o Neto sobre a importância do horário, que se devia dar uma atenção especial para a madrugada, com a saída do Isaías ele me pediu pra ficar no horário, só que com a promessa de que seria por pouco tempo, até ele encontrar alguém para por no lugar. Lá se vão seis anos. O horário é realmente maravilhoso e a interação com os ouvintes é sensacional. São cerca de 100 participações diárias. Hoje eu digo que não existe amanhecer sem “Alvorada Sertaneja”.
Noticiantes: Neste ano, você foi convidado para participar do programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Como foi a experiência com os ministros entrevistados?
Paulinho Camilo: Pra mim foi uma surpresa. Quando recebi o convite fiquei muito feliz porque nem imaginava que estava no radar deles. Com os contatos que estou fazendo, hoje tenho acesso a vários ministros, claro que por meio das assessorias, mas é uma abertura muito importante. Toda experiência é um novo aprendizado. Graças ao programa, muitas portas se abriram.
Noticiantes: Em todos estes anos de rádio, alguma história em especial merece destaque?
Paulinho Camilo: São tantas histórias. Tantos momentos. Tantas viagens. Graças ao rádio percorri estádios de futebol por vários estados, conheci muitas personalidades e principalmente, fiz muitos amigos. Recebi várias premiações. Tive também algumas decepções. Outro dia, num feriado, fui fuçar em algumas caixas de recordações e confesso que me emocionei. Revi algumas fotos, recortes de jornais antigos, tantos objetos que simbolizam momentos. Parafraseando Roberto Carlos, “são tantas emoções” que não tenho escolha.
Noticiantes: Mesmo com a ascensão da internet e das redes sociais, você ainda acredita na potência do rádio como meio de comunicação?
Paulinho Camilo: A internet, as redes sociais, a TV, ou seja lá o que for, não substitui o rádio. O rádio tem uma força que ultrapassa qualquer barreira. Ele é o amigo, o companheiro de todas as horas e em todos os locais. Te consola, te dá forças, reza com você. Dorme e acorda com você. O rádio nunca te deixa sozinho.
Noticiantes: Como funciona a sua preparação diária para usar os microfones? Há algum segredo para preparar a voz, por exemplo?
Paulinho Camilo: Não tenho preparação nenhuma. Acordo 3 horas da madrugada, bebo um copão de água gelada e vamos pra luta. Mas também nem preciso de preparação. Tenho uma voz comum, nada de especial. Então, do jeito que acordo já to pronto.
Noticiantes: Quais são suas maiores inspirações no rádio nacional?
Paulinho Camilo: Minha maior inspiração chama-se Ildefonso Rosa, o cara que me acolheu em Cáceres e me ensinou o básico em rádio. Me ajudou, foi meu mentor e pra ele meu eterno agradecimento. Tive na época em que comecei, colegas de trabalho que me ensinaram muito. Absorvi o que podia. É claro que tenho ídolos no rádio. Mas não procuro imitar ninguém. Tenho meu próprio jeitão de ser. Durante toda minha trajetória, Deus colocou muitos anjos na minha vida que me ajudaram. Me lembro que na época que comecei, tudo era novidade. Eu não sabia nada, não tinha noção de nada. Foi graças ao Ildefonso que fui aprendendo aos poucos. E teve um dia, acho que fazia uns dois anos que eu tinha começado, que ele me chamou e disse: a partir de segunda você vai apresentar o jornal comigo. Foi um choque porque o cara tinha, e ainda tem, uma voz maravilhosa. Eu falei não, de jeito nenhum. Ele disse, não estou pedindo, estou mandando. Foi muito tenso. Mas hoje só agradeço a confiança que ele depositou em mim. Se essa reportagem chegar até você Ildefonso, saiba que sou eternamente grato.
Noticiantes: Como funciona a parte técnica de sua função? Esta operação mudou ao longo dos anos com a tecnologia?
Paulinho Camilo: Se mudou. A tecnologia facilitou muito a nossa vida. Hoje é tudo menos complicado, mas, pra ser sincero, ficou meio sem graça também. Só quem viveu o rádio de antigamente vai entender o que estou dizendo.
Noticiantes: Já foi reconhecido por alguns ouvintes apenas pela voz? Como é a abordagem dos fãs e o feedback do público local e regional em relação a você?
Paulinho Camilo: Algumas vezes sim, tipo: “conheço essa voz. Você é o Paulinho?” Já estou há tanto tempo no rádio que praticamente todo mundo já me conhece. Aqui, é claro, né? Afinal não sou uma personalidade tão importante assim. Mas, dentro do nosso mundinho aqui, local, é impressionante o carinho que recebo. E é pra retribuir esse carinho que me procuro melhorar a cada dia.
Noticiantes: O Noticiantes agradece sua participação, te parabeniza pelo Dia do Radialista e deixa o espaço aberto para suas considerações finais.
Paulinho Camilo: Só agradeço o carinho de vocês, do Noticiantes, por mim. Até a próxima!















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