Universitária de Bariri cria aplicativo que auxilia empresas e facilita acessibilidade de Pessoas com Deficiência no ambiente corporativo
Através de suas próprias experiências como profissional PcD (Pessoa com Deficiência), a estudante Dariane de Jesus Bruno, 33 anos, criou uma solução inovadora para facilitar a acessibilidade deste público dentro de ambientes empresariais.
Moradora de Bariri, Dariane é bacharel em Administração de Empresas e estudante de Engenharia de Produção, além de ser coordenadora de polo no Projeto Guri no município. Ela nasceu com paralisia cerebral congênita, condição que afeta principalmente o desenvolvimento e controle motor, podendo também impactar a visão, audição, fala e cognição. No caso de Dariane, a paralisia afetou parte de sua fala coordenação motora; ela utiliza muletas para me locomover.
“Nasci com paralisia cerebral congênita, mas essa condição nunca foi uma barreira para mim. Sempre entendi que meu caminho seria um pouco mais desafiador, não por causa da minha deficiência em si, mas pelas dificuldades e preconceitos que a sociedade muitas vezes impõe. Foi em uma das minhas experiências no meio corporativo que percebi a necessidade de criar algo que facilitasse a inclusão”, conta.

A partir de sua vivência profissional em empresas baririenses, nasceu a ideia de criar o ZIVA APP, uma plataforma que funciona como uma rede de apoio para PcD, dentro das próprias empresas.
“A proposta é simples e direta: conectar uma pessoa com deficiência a um ‘acolhedor’ com apenas um clique, permitindo que o auxílio necessário seja oferecido naquele momento. O ZIVA APP também pode ser usado por pessoas com deficiências distintas para se ajudarem mutuamente, criando uma comunidade onde todos podem oferecer e receber suporte quando precisarem. Acredito que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para quebrar barreiras e promover uma verdadeira inclusão”, explica Dariane.
No Brasil, a Lei 8213/91, também conhecida como “Lei de Cotas” ou reserva legal de cargos, exige que as grandes empresas tenham um número mínimo de colaboradores com deficiência nos seus quadros. A regra vale para organizações que tenham a partir de 100 funcionários. As empresas precisam garantir que uma porcentagem definida por lei dos seus funcionários sejam pessoas com deficiência. A regra funciona da seguinte forma: De 100 a 200 funcionários: 2% / De 201 a 500 funcionários: 3% / De 501 a 1000 funcionários: 4% / De 1001 em diante: 5%.
Dessa forma, uma empresa com 500 empregados, por exemplo, deve reservar 15 vagas para PcD. Uma empresa com 1.000 empregados, deve reservar 40 vagas; e uma empresa com 5.000 empregados, deve empregar 250 pessoas com deficiência. A Lei de Cotas se aplica a pessoas com deficiência física, auditiva, visual, mental ou múltipla, seja ela visível ou não no ambiente de trabalho.
Para Dariane, apesar de a Lei de Cotas vigorar no Brasil há quase 35 anos, as empresas seguem enfrentando dificuldades em relação à manutenção de funcionários PcD, como Setores de Recursos Humanos sobrecarregados e sem ferramentas adequadas para o público. As dificuldades que Pessoas com Deficiência encontram nas empresas, por falta de metodologias eficientes específicas que garantem acessibilidade, gera rotatividade de profissionais PcD, que ou acabam desistindo do trabalho ou acabam sendo dispensados.
“Faltam canais acessíveis e seguros de comunicação com ação efetiva em tempo real. A inclusão acontece sem estrutura, sem dados e sem continuidade. Os profissionais PcD se sentem isolados ou excluídos e a inclusão não alcança todos os times. A rotatividade desses talentos gera alto custo e impacto social”, completa a universitária.
Com o ZIVA APP, o funcionário PCD pode utilizar seu telefone celular para solicitar chamadas e registrar ocorrências que, são direcionadas imediatamente a determinado departamento da empresa. A plataforma informa a solicitação do funcionário PCD à empresa em tempo real, incluindo em qual setor ele se encontra no momento em que solicitou atendimento.
Por exemplo: se um profissional com mobilidade reduzida estiver precisando de auxílio em um setor localizado no terceiro andar da empresa, ao invés deste funcionário ir até o RH com sua dificuldade de locomoção, seria o próprio RH que iria até onde ele se encontra no momento da ocorrência registrada no ZIVA APP.
“O aplicativo está em fase de testes em duas grandes empresas de São Paulo. Aqui em Bariri, ainda não fizemos a divulgação oficial, mas minha expectativa e conseguir dar andamento nisso em breve. A ZIVA se apresenta como uma ferramenta que vai além da simples comunicação, criando um ambiente onde PcDs são valorizados e contribuem plenamente”, finaliza Dariane.
Para saber mais sobre a plataforma, acesse o site oficial: https://www.ziva.app.br/















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