CP Myrella: Testemunhas afirmam que é impossível não haver horas extras no Setor de Saúde e que agentes podem trabalhar de casa quando necessário
“São fatos infundados. As horas extras foram requisitadas e solicitadas pela Ana Paula. Eu ouço muito falar da questão do teletrabalho mas eu, particularmente, nunca utilizei esse termo. Quem usa o termo teletrabalho é o Promotor de Justiça, na resposta que ele manda para esta Casa. Então, quando as pessoas tentam banalizar esse termo, é justamente como se estivessem desrespeitando o próprio Promotor de Justiça, porque teletrabalho é uma forma do meio jurídico de se expressar. Não foi uma excepcionalidade; não foi eu quem inventei esse termo.” – Vereadora Myrella Soares durante oitivas da Comissão Processante.
A Câmara Municipal de Bariri disponibilizou nesta terça-feira (17), as gravações em vídeos das oitivas de testemunhas da Comissão Processante (CP), aberta para investigar suposta quebra de decoro por parte da vereadora Myrella Soares (União Brasil). Durante as oitivas, 12 testemunhas e 2 informantes foram ouvidas no dia 06 de junho. O procedimento começou às 13h e terminou por volta de 17h na Câmara Municipal de Bariri.
A CP é formada pelos vereadores Leandro Gonzalez (presidente), Aline Prearo (relatora) e Rubens Pereira dos Santos (membro). A denunciante, Valentina de Fátima João Navarro, acusa Myrella de usurpar funções de chefia na Diretoria de Saúde, receber por horas extras não trabalhadas e perseguição política.
No relatório de Aline Prearo, que deu continuidade à Comissão Processante, a relatora cita o “teletrabalho” como principal argumento de investigação. A denúncia diz que Myrrella Soares recebeu horas extras trabalhando na modalidade, que nada mais é que um trabalho remoto, afirmando que tal ato seria ilegal.
O Ministério Público, através do promotor de Justiça dr. Nelson Aparecido Febraio Junior, já havia derrubado o argumento, afirmando que “não há vedação aparente ao teletrabalho no município” e que “se o teletrabalho foi autorizado pela chefe imediata a servidora subordinada só resta o cumprimento”.
Três testemunhas ouvidas pela comissão: Marina Prearo (gestora da Santa Casa de Bariri), Luciana Policarpo (servidora pública) e Jéssica de Moura (enfermeira), afirmaram, em seus depoimentos, que existe a possibilidade do agente administrativo executar serviços de casa, quando necessário
Já Ana Paula Falcão, a ex-diretora de Saúde que, à época dos fatos narrados pela denúncia, era chefe imediata de Myrella Soares, declarou que telefonou para Myrella digitar ofícios do departamento em sua casa, durante um final de semana, devido à alta demanda da Saúde e a necessidade de agir imediatamente para conter a possível epidemia de dengue no município.
Confira a seguir um resumo do que disseram as testemunhas em seus respectivos depoimentos:
Ana Paula Falcão (ex-diretora de Saúde)
- Que é mentira a denúncia de que Myrella dava ordens no Setor de Saúde durante sua gestão;
- Que viajou para São Paulo para uma reunião sobre a dengue, onde foi passado um cenário caótico de pico da doença;
- Quando retornou de SP em um sábado, estava se aproximando do período do carnaval e pensou como conter um possível avanço da doença;
- Nisso, ligou para Myrella para que ela fosse até o Soma 1 fazer os protocolos de formação do comitê da dengue;
- Myrella disse que estava cuidando de sua mãe e, por isso, Ana Paula a autorizou a fazer o serviço de casa; que isso durou praticamente o sábado inteiro;
- Que autorizou funcionários da Saúde a realizarem horas extras para zerar as filas de exames e guias;
- Que Myrella e uma equipe que entende de informática ficou responsável por alimentar o sistema, que estava desatualizado há anos;
- Que todos os pontos registrados por servidores foram revisados por ela;
- Que ela fez o ofício para Myrella realizar o trabalho em casa e o RH da prefeitura nunca questionou;
- Que o prefeito garantiu que as horas extras na Saúde eram permitidas via ofício assinados por ela (Ana Paula);
- Que existe o relatório por escrito das funções de Myrella realizadas em casa;
- Que sua saída da prefeitura foi por falta de apoio do prefeito Airton Pegoraro, que não tem relação com Myrella;
- Que Airton Pegoraro votou atrás em sua palavra e que ela perdeu a confiança nele;
- Que banco de horas não funcionada para a Saúde.
Jessica Cristina de Moura Faitanini (enfermeira)
- Que teve uma função comissionada na Saúde e, antes de assumir o cargo, havia acúmulos de serviços
- Que foi passado que deveria ser evitado horas extras, mas que, na Saúde, isso é impossível;
- Que as horas extras na Saúde não são ligadas ao atendimento direto ao paciente, pois existem algumas questões burocráticas, nas quais a realização de horas extras também são necessárias;
- Que não é possível haver banco de horas na saúde;
- Que os agentes administrativos fazem horas extras por conta das demandas que chegam ao setor;
- Que é possível um agente administrativo realizar relatórios onde ele estiver;
- Que Myrella nunca realizou qualquer atividade fora do cargo de agente administrativo e que nunca recebeu ordens diretas dela;
- Que nunca presenciou tratamento diferenciado ou favorecimento à Myrella na Saúde;
- Que trabalhos fora dos horários de trabalho são autorizadas através de ofício;
- Que já levou trabalho para a casa e teve que alimentar relatórios à domicílio;
- Que as horas extras na Saúde são todas pagas.
Luciana Policarpo Viccari (funcionária pública)
- Que já foi diretora de Myrella no ano anterior, quando Myrella atuou no Banco do Povo;
- Que Myrella era uma funcionária proativa e que sempre respeitou os colegas de trabalho;
- Que nunca houve interferência de Myrella na contratação de funcionários;
- Que já recebeu horas extras trabalhando em casa, realizando cursos.
Marina Prearo (Diretora da Santa Casa de Bariri)
- Que Myrella já foi agente administrativa enquanto era diretora de Saúde, atuando na linha de frente da pandemia;
- Que a Saúde necessita de horas extras para funcionar e que, durante sua gestão, as horas extras eram pagas aos agentes;
- Que quando foi diretora de Saúde, teve um agente administrativo (Elder) a auxiliando diretamente;
- Que existe a possibilidade do agente administrativo realizar demandas urgentes de casa.
Daniela Muzardo (dentista coordenadora da Saúde Bucal)
- Conhece Myrella há mais de 15 anos, a definindo como comprometida com o trabalho e uma profissional de conduta exemplar;
- Que sobre o decreto de horas extras, a diretora de Saúde avisou os coordenadores da proibição, mas que poderiam haver exceções;
- Que nos casos de exceções, não era necessária a assinatura do prefeito, pois a própria diretora de Saúde autorizaria;
- Que frequentava o Soma 1, sede da Diretoria de Saúde, para reuniões entre os coordenadores, e que Myrella nunca participou de tais reuniões;
- Que Myrella nunca lhe deu nenhuma ordem.
Irene Chagas (ex-Diretora de Saúde)
- Afirmou não ter nada contra a pessoa de Myrella Soares;
- Que não trabalha mais na Diretoria de Saúde desde janeiro e que, tudo o que sabe sobre a denúncia é o que a sociedade baririense sabe;
- Que não sabe sobre o cumprimento de horas extras por teletrabalho;
- Que nunca realizou horas extras na modalidade teletrabalho;
- Que desconhece a modalidade teletrabalho;
- Que a Saúde exige horas extras de forma presencial;
- Que quando ocorriam atividades fora do setor eram feitas através de ofício com autorização do diretor.
Gabriela Prado (terapeuta ocupacional e coordenadora do Lar Amor e Vida)
- Conhece Myrella Soares por sua atuação como vereadora, definindo a atuação dela na Câmara ressaltando seu trabalho em prol das minorias;
Thiago Luppi Marques (agente administrativo)
- Que trabalhou com Myrella no setor de agendamento e que Myrella atuava alimentando o sistema;
- Que uma das funções dos agentes é auxiliar diretamente a diretoria, respondendo pareceres do Ministério Público e outros tipos de burocracia;
- Que quando autorizado pela diretoria, o agente administrativo pode fazer relatórios em domicílio;
- Que graças a alimentação do sistema, foi zerada a fila de uma especialidade e, para isso, foi autorizada a realização de horas extras por parte da diretoria;
- Que nunca recebeu ordem de Myrella, apenas da então diretora Ana Paula;
- Que nunca presenciou interferências de Myrella em nomeações ou indicações de cargos.
Renato Barbieri (coordenador do Poupatempo)
- Disse que não conhece Myrella e que ela nunca lhe solicitou nada;
- Que as contratações do posto do Poupatempo são feitas através de currículos.
Maria José da Rocha Bertholo (agente administrativa)
- Disse que nunca recebeu ordem de Myrella como vereadora ou cargo de chefia;
- Que nunca realizou horas extras em casa;
- Que não teve tempo hábil para alimentar o sistema com o lançamento de guias;
- Que fazia outros serviços, por isso não teve tempo;
- Que é necessário fazer horas extras na Saúde;
- Que comunicou a ex-diretora da Saúde que eram necessários mais funcionários para alimentar o sistema.
Luis Antonio Soares de Camargo (agente administrativo)
- Que Myrella nunca lhe deu nenhuma ordem direta;
- Que não tem conhecimento sobre teletrabalho;
- Era responsável pelos atestados de frequência no Soma 1;
- Que antes de ter cargo comissionado já realizou horas extras;
- Que o diretor do setor assinou suas horas extras, mas que ele fez o documento;
- A partir de março de 2025 não fez mais os atestados de frequência;
- Que já recebeu horas extras 100%;
- Que os agentes administrativos realizam horas extras aos finais de semana quando necessário.
Karita Danielle Digiere Pomponi (cirurgiã dentista)
- Disse que recebeu visita de Myrella em seu consultório e estranhou a fiscalização;
- Que nunca recebeu nenhuma ordem direta de Myrella;
- Que desconhece a modalidade de teletrabalho.
Daiane Navarro (agente comunitária e sobrinha da denunciante, Valentina Navarro)
A testemunha foi contraditada pela defesa de Myrella Soares por sua relação familiar com a denunciante, Valentina Navarro. Isso impediu Daiane de depor como testemunha. Foi ouvida na condição de informante. Antes de ser dispensada, Daiane disse que se encontra em licença maternidade e não chegou a trabalhar com Myrella neste ano de 2025.
Madalena Domingues Zenatti
A testemunha foi contraditada pela defesa de Myrella Soares por possuir desentendimentos com a vereadora, incluindo um boletim de ocorrência aberto para apurar o crime de transfobia. Isso impediu Madalena de depor como testemunha. Foi ouvida na condição de informante.
- Afirmou que só tem conhecimento dos fatos sobre a denúncia reportados pela imprensa;
- Que já realizou horas extras fora de seu posto de trabalho.















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