Falta de especialidades médicas em Bariri: Diretor de Saúde atribui responsabilidade ao Estado e diz que licitações estão em andamento, mas não informa o prazo para retorno de ginecologista e psiquiatra infantil
“Essa questão da licitação é questão eletiva. Questão eletiva é uma coisa; tratamento é outro. A questão eletiva são solicitações eletivas. O tratamento, as consultas são feitas nas UBS unidades de saúde. As emergências são no pronto-socorro e estão sendo atendidas de pronto. Essa questão da licitação está sendo feita de forma emergencial. Depois, vamos fazer uma licitação de forma diferente. Pretendo não ter mais esse problema de, a cada seis meses, ter que mudar o médico. Me dá um prazo para resolver, mas um prazo jurídico. Não posso atropelar fases.” - José Antônio Felicio Rufato, Diretor Municipal de Saúde, sobre especialidades médicas suspensas.
Acompanhado do prefeito Airton Pegoraro (Avante), o Diretor Municipal de Saúde de Bariri, José Antônio Felicio Rufato, participou, na última semana, de uma entrevista ao vivo no Jornal Primeira Página da 91 FM (Sistema Belluzzo de Comunicação). A atração é comandada pelos âncoras Paulinho Camilo e Giba Belluzzo.
Em meio a delicada situação que a Saúde Municipal de Bariri se encontra, com críticas massivas e constantes nas redes sociais – devido à falta de medicamentos na farmácia municipal e especialidade médicas suspensas, como psiquiatra infantil e ginecologia – Rufato e Pegoraro foram questionados sobre tais temas.
No início da entrevista, o diretor ironizou uma provocação de autoria anônima que viralizou nas redes sociais na última semana: um cartaz com a foto de Rufato e os dizeres: “Procura-se. Quem tiver qualquer informação, entre em contato com a Prefeitura Municipal de Bariri”, circulou em grupos de WhatsApp.
A crítica ilustra a reclamação de muitos munícipes, e também da própria imprensa, de que Rufato é inacessível. Com bom humor e sarcasmo, o diretor disse que acabou “ficando famoso” com a “brincadeira”, pois quem ainda não o conhecia e viu a sua foto no “meme”, passou a conhecer.
Em suma, a administração alega que as licitações de especialidades médicas vencidas foram um erro da própria Diretoria de Saúde, que não abriu novas licitações num tempo hábil antes do vencimento dos contratos atuais. Antes de Rufato, a pasta foi comandada por Ana Paula Falcão e Talita Azevedo. Também alegam que muitas especialidades médicas seriam de responsabilidade do Governo do Estado que, ao não suprir a demanda, sobrecarrega o município.
Sobre os medicamentos, prefeito e diretor disseram que 8 a 10 mil pessoas frequentam a Farmácia Central por mês. Que muitos dos medicamentos estão disponíveis no programa “Farmácia Popular”, e que a central está abastecida com todos os medicamentos exigidos pela Relação Nacional dos Medicamentos (Rename).
Rufato também rebateu a crítica de que não estaria visitando as unidades de saúde do município com frequência – reclamação que também chegou à reportagem do Noticiantes por servidores de algumas unidades, que afirmam que o diretor nunca visitou determinados locais até o momento. O diretor alega que chega de surpresa nos postos e fala com os pacientes.
Confira a seguir alguns dos principais tópicos abordados durante a entrevista e as respostas de Pegoraro e Rufato sobre cada um dos temas.
- Como Zé Rufato chegou à Diretoria de Saúde de Bariri?
“Estávamos com licitações perdidas; déficits que venceu a licitação, como kit lanches e outros produtos. Em virtude disso, tivemos uma alteração na Diretoria de Saúde. A Neusiely atende de bom grado quando a gente pede, mas não quis ser efetivada no cargo. Nesse meio de tempo, o Paulo (Kezo) conheceu o Zé e comentou comigo. Ele já era alguém que estava no radar há um tempo atrás; uma pessoa que tem uma história de muitos anos na saúde, tanto na parte pública como na privada. Ele trabalhou na Unimed e estava trabalhando em uma diretoria municipal de outra cidade. A gente conversou com ele e decidiu convidá-lo. Sabendo que tínhamos um monte de licitação vencidas, por falha da diretoria. Se deixar vencer a licitação são três meses e isso acabou deixando um monte de transtorno. O Zé está tentando melhorar esse fluxo, criar uma rotina. ” – Airton Pegoraro.
- Licitações de especialidades médicas vencidas
“Não é ad aeternum. Isso está resolvido e vai ser resolvido num curto espaço de tempo. Existe a questão burocrática, que todos sabem. Temos situações adversas numa contratação e não podemos pular etapas; também não podemos escolher o profissional. Mas isso vai ser resolvido num curto espaço de tempo. Por exemplo: hoje estamos com uma situação de nefrologia [especialidade médica que se dedica à prevenção, diagnóstico e tratamento clínico das doenças do sistema urinário, especialmente os rins]. Tenho 80 pessoas. Isso é ao meu ver uma questão urgente; pode até parecer mais gente. Mas quem tem que atender essa especialidade? É o Estado. Estamos com uma demanda de 80 pessoas que, até o momento, estávamos suprindo. Se eu contratar um nefrologista para atender aqui, vai ter demanda do que? Vai precisar de exames; no mínimo quatro exames de nefrologia que a prefeitura vai ter que suprir. Vou ter que resolver uma questão de mutirão e ver esse especialista. Estou vendo todas as demandas. Entrei dia 1º de agosto. Já tenho todas as demandas em vista para poder resolver. O estado teria que ter assumido esses pacientes lá atrás e até agora não fez; de quem é a responsabilidade? Não vou ficar procurando o passado; vou tentar resolver o futuro desse pessoal, como ginecologista, neuropediatria, essas coisas todas. Vamos colocar essas pessoas todas para serem atendidas, mas de uma forma que atenda também à burocracia, senão não funciona; e quem vai ser penalizado seria eu e o prefeito.” – Zé Rufato.
“Sabemos o problema em relação à médicos, principalmente pelo fato de ter vencido essas licitações. As licitações de especialidades são seis meses. As prefeituras municipais são responsáveis pela atenção básica. A maior parte das especialidades não são a alçada do município; seriam obrigação do Estado. O Estado não supre a demanda e começa a aumentar cada vez mais. Às vezes, tem a necessidade de uma determinada especialidade e uma demanda infinita. A prefeitura acaba contratando pessoas que não são do quadro de servidores, através de licitação, ou para fazer esses atendimentos, ou para fazer emergencialmente algum mutirão. Isso é o que realmente acontece, mas houve esse problema. As licitações que vencem daqui três meses já têm que ser abertas de novo. Houve essa falha por parte da Diretoria de Saúde, especificamente nas especialidades, que não seriam responsabilidades nossa, mas como o Estado não assume, acaba sobrando para o município.” – Airton Pegoraro.
Medicamentos
“A demanda para saúde é infinita; você nunca vai suprir tudo. Existe uma tabela chamada Rename (Relação Nacional dos Medicamentos) que é o que o município é obrigado a ter. Hoje, todos os medicamentos obrigatórios pelo Rename nós temos na farmácia. Muitos medicamentos são de alto curto; o Estado tem obrigação de fornecer e não está suprindo. Existia uma desorganização grande: a prefeitura comprando muitos remédios que são de graça na Farmácia Popular e a prefeitura estava gastando com isso.” – Airton Pegoraro.
Visita nos postos de saúde
“Tenho o hábito de visitar os postos, não falar quem eu sou, sentar na fila e conversar com o cidadão. E o tempo para fazer isso? Por enquanto não deu para unidades de saúde; eu visitei algumas. Não deu tempo. Existe também uma coordenadora de saúde e, se eu não poder ir ela vai. Estou, na medida do possível, conversando com todo mundo. Existe whatsapp hoje em dia também e faço contato com todo o pessoal.” – Zé Rufato.















Comentários (0)
Comentários do Facebook