Prefeito diz que servidora “criou fato” em vídeo de cesta básica com supostos produtos estragados; Pegoraro sugere fraude em troca de feijão e cita ação judicial

Prefeito diz que servidora “criou fato” em vídeo de cesta básica com supostos produtos estragados; Pegoraro sugere fraude em troca de feijão e cita ação judicial

O Prefeito Municipal de Bariri, Airton Pegoraro, se pronunciou publicamente sobre a polêmica das cestas básicas distribuídas pelo Fundo Social de Solidariedade, que supostamente estariam com produtos estragados. Em entrevista ao jornalista Alcir Zago na edição do dia 20 de fevereiro do “Bom dia Cidade”, programa de entrevistas produzido pela rádio 91 FM (Sistema Belluzzo de Comunicação), Airton sugeriu que a servidora municipal que denunciou o caso, por meio de vídeo divulgado nas redes sociais, teria forjado a situação.

Sem citar nomes, Pegoraro classificou o caso como “manifestação da velha política de Bariri”. A servidora municipal que gravou o polêmico vídeo é a ex-diretora de Saúde do governo Abelardo-Foloni, Irene Chagas. Em setembro de 2025, Irene anunciou sua filiação ao MDB, partido dos ex-mandatários Abelardo Simões e Fernando Foloni, consolidando sua entrada para o grupo político do prefeito cassado em 2023, pelo escândalo de corrupção na licitação de limpeza pública. Abelardinho é réu por organização criminosa, fraude em licitações e outros crimes.

“Todo mundo que tem um pouquinho de discernimento acabou percebendo do que se trata. Foi criado um fato político. Essa senhora que veiculou esse vídeo tem suas preferencias políticas e tem seu grupo que ela está se juntando, que não é o nosso. Por isso, criou um fato para constranger a administração”, começou o prefeito.

Segundo Airton Pegoraro, existem duas pastas em Bariri que prestam o serviço de distribuição de cestas básicas: a Diretoria de Assistência Social e o Fundo Social de Solidariedade (FUSS). O Social adquire as cestas básicas por meio de licitação. Já o FUSS recebe cestas do Governo do Estado de São Paulo. A denúncia feita por Irene Chagas, de que os produtos distribuídos pelo FUSS às famílias do município estariam supostamente estragados, é referente à uma remessa de 230 cestas que chegam em Bariri, pelo Governo Estadual.

“Na verdade, é uma caixa de papelão lacrada com vários produtos. Cada caixa dessa tem quatro pacotes de feijão. A caixa estava dentro do prazo de validade. Ninguém vai violar o lacre da caixa para ver o que está sendo entregue. Sendo observado algum produto com problema, o normal seria procurar a prefeitura para fazer a troca. Quando existem vários tipos de produtos que estão causando problemas, o protocolo é ligar para o Governo do Estado e fazer a devolução desses itens”, continua Airton.

Essa remessa de cestas básicas foi entregue no CRAS I, CRAS II, CREAS, FUSS, e Casa da Mulher. O prefeito disse que a administração entrou em contato com o FUSS e com a Vigilância Sanitária, que por meio de laudo, atestou que os produtos supostamente estragados (feijão e salsicha) estavam dentro do prazo de validade.

“Em alguns pacotes de feijão, realmente havia a presença de caruncho. Mas o interessante é que haviam marcas de feijão que foram implantadas lá. Não eram as mesmas marcas mandadas para o FUSS. O Fundo Social de Solidariedade não trabalha com aquela marca do vídeo. Temos isso laudado e vamos fazer a apuração. Somos um país democrático e todo mundo tem direito de falar o que quer, desde que arque com as consequências. As consequências vão vir através de ação judicial e através de procedimentos disciplinares”, finalizou Pegoraro.

Nesta quarta-feira (25), Irene pediu direito de resposta à 91 FM. Também em entrevista ao jornalista Alcir Zago, do “Bom dia Cidade”, a servidora disse que atua como assistente social no CRAS II do bairro Livramento há cerca da um ano, e acusou o governo de “insalubridade” e “ingerência” na qualidade e forma de distribuição de cestas básicas às famílias necessitadas. Para ela, as cestas são distribuídas “de forma errada dentro do ponto de vista social e ético”.

Na sequência, ela admite que realmente tomou a iniciativa de gravar o vídeo polêmico e que não se arrepende do feito, afirmando que chegou ao estopim após ouvir a reclamação de uma família, negando que a denúncia tenha motivação política. Irene nega ter implantado marcas de feijão diferente das originalmente distribuídas, batendo na tecla que o erro foi da administração e desafiando o prefeito a processá-la.

Ambas as entrevistas completas, tanto a do prefeito Airton como a da servidora Irene, estão disponíveis na íntegra no Facebook da 91 FM.