Baririenses cobram medicamentos, suspensão de especialidades médicas e falta de medidor de glicose no PSF do Livramento; Diretoria de Saúde emite nota
A Saúde Municipal de Bariri enfrenta uma de suas piores crises desde que a atual administração assumiu o Executivo. De maneira massiva, a população não passa um dia sequer sem cobrar a ausência de vários tipos de medicamentos na Farmácia Central.
Em comentários nas redes sociais, marcações ao prefeito e aos veículos de imprensa local, o coro dos baririenses é único: onde estão os medicamentos? Em entrevista ao jornalista Alcir Zago na edição do dia 10 de setembro do “Bom dia Cidade”, transmitido pela 91 FM (Sistema Belluzzo de Comunicação), o prefeito Airton Pegoraro (Avante) disse que a demanda da saúde é infinita. O prefeito sugeriu a criação de uma espécie de protocolo, junto aos médicos da rede, na elaboração de uma lista de medicamentos mais preconizados.
Fora estes casos, ainda de acordo o prefeito, a compra de outros medicamentos, menos recomendados, seria avaliada tendo como base a situação econômica de cada cidadão, ou via judicial – isto é, quando o munícipe aciona a Justiça para que o ente público forneça gratuitamente determinado item.
A administração também sustenta que, grande parte dos medicamentos que a população procura na Farmácia Central estão disponíveis no programa “Farmácia Popular”, iniciativa do Governo Federal que visa complementar a disponibilização de medicamentos utilizados na Atenção Primária à Saúde, por meio de parceria com farmácias da rede privada.
Em nota enviada à nossa reportagem, a Diretoria Municipal de Saúde informou a lista de quais medicamentos estavam em falta até o fechamento desta edição. Segundo a pasta, tratam-se de 22 itens que já tiveram seus respectivos pedidos de estoque enviados:
ácido fólico gts; ac valproico 250mg cp; alopurinol 100mg cp; budesonida 64mcg; c cálcio 500mg cp; c cálcio+ colecalciferol cp; carvedilol 12,5mg / 25mg; clor. amitriptilina 25mg cp; clor. Clomipramina 25mg cp; clor. propafenona 300mg cp; finasterida 5mg cp; gliclazida 30mg cp; ibuprofeno 100mg gts; levotiroxina 25mcg cp; mal enalapril 5mg cp; doxazosina 2mg cp; metildopa 250mg cp; nifedipina 20mg cp; omeprazol 20mg cp; pentoxifilina 400mg cp; sacarato de hidroxido ferrico ev; e sulfato ferroso 40mg cp.
“Informamos que, dentre os medicamentos padronizados pelo RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), apenas alguns poucos itens encontram-se em falta no momento. Ressaltamos que todos esses medicamentos já tiveram suas compras realizadas e estamos aguardando a entrega pelos fornecedores. Além disso, reforçamos que o desabastecimento de determinados medicamentos distribuídos pela FURP (Fundação para o Remédio Popular) tem afetado não apenas nosso município, mas também diversas cidades da região, o que tem agravado a situação. Seguimos monitorando de perto o fornecimento e reforçando os pedidos junto aos órgãos competentes, buscando garantir o reabastecimento o mais breve possível”, disse a Diretoria de Saúde.
Ginecologista, Psiquiatra Infantil e Fisioterapeuta
Outra reclamação constante dos pacientes da rede pública diz respeito às especialidades médicas em falta, como psiquiatra infantil e ginecologista, além da demanda de fisioterapia no município que é bastante alta. No caso da psiquiatria infantil, os atendimentos eram realizados no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), com o médico dr. Fabrício Fola.
No entanto, o serviço foi suspenso em agosto após comunicado da Diretoria de Saúde, que justificou que o número de consultas teria ultrapassado número de cotas adquiridas pela prefeitura no ato da contratação do serviço. Desde então, o atendimento segue suspenso por mais de um mês.
Na especialidade de ginecologia, a gestão justifica que a empresa responsável pela prestação do serviço via licitação (Health Max), interrompeu o contrato em 22 de agosto. Segundo a direção, o processo licitatório para contratação e ginecologista já está em andamento.
“Atualmente, não contamos com ginecologista e psiquiatra infantil atendendo na rede municipal. Em relação à especialidade de psiquiatria infantil, informamos que, devido a um aumento abrupto e repentino da demanda, o contrato anterior foi encerrado antes do prazo previsto. A atual gestão está realizando estudos técnicos com o objetivo de viabilizar a melhor modalidade contratual para retomar os atendimentos. No tocante à especialidade de ginecologia, há um processo licitatório em andamento. A empresa vencedora do certame solicitou o rompimento do contrato, e, neste momento, estão sendo realizados contatos com os próximos classificados para solicitação da documentação necessária à formalização de novo contrato”.
Em relação ao fisioterapeuta, a Diretoria de Saúde alega que, neste momento, a rede conta com três profissionais que revezam o atendimento na Policlínica, além de garantir que a contratação de novos profissionais já está em andamento.
“Complementarmente aos serviços de fisioterapia, já foi elaborado estudo técnico, juntamente com os demais documentos, para a abertura de processo licitatório visando à contratação de novos profissionais, com o objetivo de atender à demanda reprimida existente”.
Glicosímetros
Sobre a reclamação da falta de aparelhos medidores de glicose no PSF do Livramento, conforme reclamação recebida por nossa reportagem via WhatsApp nesta terça-feira (23), a Diretoria de Saúde se limitou a dizer apenas que “os glicosímetros já foram entregues à unidade mencionada e os atendimentos foram normalizados”, sem detalhar mais sobre o caso.
População ironiza “sumiço” do Diretor de Saúde
Desde que assumiu a pasta em 1º de agosto, o Diretor de Saúde José Antônio Felicio Rufato, vem sofrendo críticas pesadas, tanto da população, quanto da Câmara de Vereadores e da própria imprensa, por sua atuação considerada apática.
Uma das maiores reclamações é sobre as falhas de comunicação; quando questionado pelos órgãos de imprensa sobre assuntos pontuais, Rufato ignora as solicitações.
No caso do Jornal Noticiantes, por exemplo, ele foi o único diretor a assumir que não ganhou uma matéria de apresentação por não mandar informações suficientes sobre seu perfil profissional e suas prioridades no setor.
O Noticiantes só consegue obter respostas da Direção de Saúde via e-mail e em comunicação com outros departamentos, como a Assessoria de Comunicação e o Gabinete, por exemplo. José Antonio Felício Rufato deixou de retornar contato via WhatsApp com nossa reportagem há tempos.
Nos bastidores da prefeitura, servidores públicos da saúde também se mostram descontentes com o novo diretor. Alguns relatos obtidos por nossa reportagem, de funcionários que preferem manter sua identidade em sigilo, dão conta que ele sequer visita os postos de atendimento com a frequência necessária, além de nunca ter ido em algumas unidades até hoje.
Nesta semana, um comentário do jornalista Paulinho Camilo, âncora do Jornal Primeira Página da 91 FM (Sistema Belluzzo de Comunicação), caiu nas graças dos internautas. Paulinho disse que o diretor de saúde de Bariri estava desaparecido.
A repercussão foi tanta que os internautas ironizaram a situação, criando um cartaz com a foto de Rufato e os dizeres: “Procura-se. Quem tiver qualquer informação, entre em contato com a Prefeitura Municipal de Bariri”















Comentários (0)
Comentários do Facebook