Envenenamento por chumbinho mata 15 animais em Bariri e Focinho Carente faz alerta
“Sou moradora do Brasil 500 e queria muito fazer um pedido de socorro através de vocês. Poderiam noticiar uma crueldade que está acontecendo aqui no bairro Brasil 500? Em menos de um mês, três animais foram envenenados, sendo dois cachorros e uma gata. Não sei se vocês podem me ajudar, mas estou pedindo por eles, que não falam e não sabem se defender desses monstros. Eles estão colocando chumbinho no alimento. Nossos bichinhos estão correndo grande perigo.” – Moradora do bairro Brasil 500 que preferiu não se identificar.
A Associação Focinho Carente de Bariri emitiu nota oficial sobre uma lamentável situação que está ocorrendo no município. Trata-se de uma onda de envenenamentos que vêm vitimando cães e gatos. Somente neste mês de agosto, três animais morreram envenenados no bairro Brasil 500.
De acordo com a associação, o crime também atinge outras regiões da cidade. Nos últimos meses, a entidade recebeu o relato de 15 animais mortos.
“Com extrema tristeza e indignação, comunicamos à população que recebemos diversas denúncias de envenenamento de animais em diferentes bairros da cidade. Esses atos configuram crime de maus-tratos previsto no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98, com pena que pode chegar a 5 anos de reclusão, além de multa”, diz a nota.
Segundo Leticia Cantanzini, Presidente do Focinho Carente, gatos são as vitimas mais comuns. Até o presente momento, a associação teve conhecimento de mortes de felinos nos seguintes bairros:
• 4 gatos no bairro Brasil 500;
• 2 gatos no bairro Maria Luiza;
• 4 gatos no bairro Jardim Yang;
• 2 gatos e 2 cachorros no bairro Jardim Esperança;
• 1 gato no bairro Nova Bariri.
“Pedimos atenção redobrada aos tutores para proteger seus animais e, principalmente, solicitamos à população que denuncie imediatamente qualquer atitude suspeita às autoridades competentes. O silêncio só fortalece a impunidade. Além disso, cobramos das autoridades do Poder Público maior fiscalização e medidas efetivas de combate a esses crimes, garantindo segurança para os animais e para a comunidade como um todo. A vida dos animais importa e não podemos permitir que essa violência continue acontecendo em nossa cidade. Juntos, somos a voz daqueles que não podem falar”, finaliza a entidade.
Uma moradora do bairro Brasil 500 que preferiu manter sua identidade em sigilo, também procurou a reportagem do Noticiantes para pedir ajuda. Ela relatou que a morte da gata de sua vizinha, a última vítima do envenenamento no bairro, foi muito rápida devido a grande quantidade de veneno ingerido pelo animal.
“Onde ela comeu o veneno, ela já caiu e ficou. Foi o tempo de a gente pegar ela e levar na Zoomed; foi muito rápido, menos de meia hora. Chegamos lá e o veterinário disse que ela estava acabando de morrer. Ele disse que foi um veneno muito forte, porque não deu tempo dela reagir; do jeito que caiu no estômago dela ela morreu. Ela não estava com espuma na boquinha, mas o sangue estava parado. O focinho também estava sujo de sangue. Tinha mais veneno no alimento do que o próprio alimento. Foi o tempo de chegar na clínica e o coraçãozinho dela parou”, diz o relato.
Meio Ambiente orienta comerciantes sobre venda ilegal de chumbinho
Nossa reportagem também entrou em contato com Sincler Policarpo, chefe do Setor de Meio Ambiente de Bariri. Segundo ele, desde o primeiro relato de envenenamento em julho, que vitimou um cão comunitário na rua Mário Simonette, o setor realizou fiscalização em estabelecimentos comerciais do município para apurar a venda irregular o agrotóxico Aldicar, popularmente conhecido como “chumbinho”, cuja venda é proibida no Brasil.
No entanto, sem receber nenhuma denúncia especifica, o setor não identificou pontos de venda do produto nos estabelecimentos. Sincler disse que os agentes do Meio Ambiente fizeram a orientação aos comerciantes.
“Foram feitas visitas, porém sem sucesso. Importante foi a orientação ao comércio. Inclusive, pedimos autorização para confecção de cartazes para melhor atingir o comércio ilegal. Logo estaremos colando esses materiais no comércio. Infelizmente é difícil identificar com a fiscalização, por se tratar de comércio ilegal”, completou.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), define o chumbinho como um produto clandestino, que não possui registro em nenhum órgão do governo. Apesar de o uso da substância ser considerado infração sanitária, muitos estabelecimentos descumprem a regra por falta de fiscalização.
Matar animais é crime no Brasil, abrangido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que estabelece sanções para quem causa dor, sofrimento, ferimentos ou morte a animais, incluindo os domésticos, silvestres e nativos. Para maus-tratos a cães e gatos, a pena é mais severa, podendo resultar em reclusão de dois a cinco anos. Em caso de flagrante de maus-tratos, acione para a Polícia Militar através do 190. Denuncie!















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