Crise na Sociedade Esportiva Guaxupé: Audiência Pública levanta dúvidas e coloca em xeque administração do clube
Gestão administrativa, financeira e o futuro das atividades do clube no município foram os pontos centrais do encontro, que reuniu vereadores e comunidade após constantes cobranças por transparência.
A Câmara Municipal de Guaxupé realizou, na última quarta-feira (1º), uma Audiência Pública para esclarecer a atual situação administrativa, financeira e patrimonial da Sociedade Esportiva Guaxupé (SEG). O encontro, convocado pela Comissão de Educação, Cultura e Esportes, buscou responder ao anseio da torcida e dos cidadãos pelo retorno das atividades de futebol profissional e categorias de base da equipe na cidade.
A presidente da SEG, Rosimeire Benício, participou da sessão e defendeu a gestão atual, afirmando que o objetivo principal sempre foi a transparência e a conformidade jurídica, mesmo diante de desafios financeiros e estruturais. “Eu acredito que os problemas reais de um clube com mais de 70 anos de história não se resolvem no gogó ou no ruído de narrativas criadas em redes sociais. Resolve-se com a frieza de dados, o respeito à lei e à verdade dos fatos”, declarou.
Questionamento e embates
Durante a explanação, Rosimeire apresentou documentos sobre projetos sociais, como o “Gol do Brasil”, e respondeu a questionamentos sobre a gestão, afirmando que dívidas antigas foram sanadas ou estão sendo tratadas juridicamente. No entanto, a fala gerou contestações. O vereador Danilo Martins, que participou online, questionou a eficácia da gestão e a utilização do CNPJ da entidade, criticando a falta de um trabalho sólido desenvolvido nos últimos anos em Guaxupé. “A senhora é boa com as palavras, tem um jogo de palavras. Nós estamos falando de quatro, cinco anos e, até agora, qual é o trabalho desenvolvido? Patinou e a gente não saiu do lugar”, pontuou o vereador.
A presidente da comissão, vereadora Maria José Cyrino, também levantou diversas dúvidas sobre o funcionamento interno, incluindo a ausência de conselheiros e diretores residentes na cidade, o não preenchimento de cargos estatutários e a falta de publicação das demonstrações financeiras. Rosimeire justificou a ausência de membros locais por dificuldade de encontrar profissionais dispostos a assumir as funções e reforçou que as decisões são tomadas em assembleias, respeitando o estatuto.
Gestão em Xeque e o “Pronome Eu”
O vereador Danilo Martins acusou Rosimeire de centralizar o poder e usar um discurso vago. “A senhora tem que parar de usar o pronome ‘eu’. A senhora fala muito no singular. Não nomeia diretor, não nomeia conselho”, disparou o parlamentar.
Maria José confrontou a gestora com uma série de irregularidades estatutárias, incluindo:
- Composição da Diretoria: Foi revelado que, dos cargos de diretoria exigidos pelo estatuto, poucos estão preenchidos e a maioria dos integrantes reside fora de Guaxupé.
- Falta de Conselho Fiscal: A ausência de um Conselho Fiscal, órgão obrigatório para fiscalizar balanços mensais, foi apontada como uma violação direta ao estatuto da entidade.
- Contabilidade Questionada: A mudança do escritório de contabilidade local – que prestava serviço voluntário – para uma contadora de São Paulo gerou desconfiança. A ex-contadora, Onair Justino, rebateu a justificativa de Rosimeire, apresentando e-mails que comprovam cobranças de transparência não atendidas.
O Clamor de Ex-dirigentes e Torcedores
Carlos Alberto Pallos (Carlinhos Português), que descreveu o desgaste em tentar organizar o clube diante de promessas não cumpridas. “Não existe nada que me impeça [de ajudar], mas como cidadão, penso que é imoral mexer com o sonho as pessoas dessa natureza”, afirmou. Ele reforçou que o CNPJ da Esportiva possui alto valor de mercado e lamentou o uso da marca fora da cidade enquanto o torcedor local permanece órfão de jogos.
A vereadora Maria José, ao encerrar as falas, foi enfática: “O que eu vi aqui hoje é uma direção que não está tendo credibilidade, não está tendo legitimidade”. A vereadora Rosilene e o vereador Pedro reforçaram que a falta de identificação da diretoria com a cidade é um obstáculo intransponível.
Encaminhamentos
A audiência não terminou com uma solução imediata, mas com um direcionamento jurídico. A Comissão Parlamentar, apoiada por seu procurador, coletou toda a documentação apresentada, incluindo atas e relatos, para subsidiar medidas legais. O vereador Carlos sugeriu um requerimento assinado por todos os vereadores solicitando intervenção urgente das autoridades competentes, como o Ministério Público, para investigar e buscar o resgate da instituição para os guaxupeanos.
A presidente da comissão declarou que, caso necessário, novas audiências serão convocadas, mas o tom dos vereadores foi de que “o tempo de esperar acabou”.






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