Santa Casa de Guaxupé reduz tempo de espera e zera superlotação no Pronto-Socorro
Após seis meses de projeto em parceria com o Ministério da Saúde, hospital corta tempo de exames e adota modelo que agiliza atendimento de pacientes.
A Santa Casa de Misericórdia de Guaxupé anunciou oficialmente o encerramento da fase de implantação do programa federal Lean nas Emergências. Realizado ao longo dos últimos seis meses, o projeto provocou uma transformação profunda na agilidade e na qualidade do atendimento prestado na unidade de Urgência e Emergência. Fruto de uma parceria com o Ministério da Saúde, a nova metodologia diminuiu drasticamente o tempo de espera dos pacientes e acabou com os problemas históricos de superlotação no Pronto-Socorro.
Os números consolidados ao final do projeto mostram conquistas importantes para a saúde pública da região. O tempo que os pacientes esperam por uma vaga de internação hospitalar despencou 69%, melhorando a rotatividade das vagas. Além disso, o chamado “Tempo Porta-Médico” – intervalo entre a chegada do paciente e o início da consulta com o profissional – registrou uma queda de 37%. Já o tempo total de permanência de quem recebe alta direto no Pronto-Socorro encolheu 32%, gerando um atendimento muito mais rápido e resolutivo.
Mudança na rotina e organização interna
Segundo a profissional Greice Santos, o sucesso da implementação aconteceu devido a uma reorganização completa das tarefas internas. O hospital alcançou 97% de conclusão das metas propostas, que incluíram reuniões diárias rápidas com as equipes para alinhar a segurança (chamadas de Safety Huddles), o uso de quadros visuais para acompanhar o tratamento de cada paciente e a arrumação física e organização de postos de enfermagem e estoques.
A coordenadora de Educação Permanente da instituição, Daniela Sousa, apresentou os sete principais números que comprovam o alivio no atendimento à população entre dezembro de 2025 e junho de 2026:
- Espera para Tomografia: Caiu de 7h30 (450 min) para apenas 1h01 (61 min) – uma redução de 86,4%.
- Tempo de Internação no Hospital: Reduzido de 6,4 dias para apenas 1,9 dias, o que abre mais vagas para novos pacientes.
- Índice de Superlotação (NEDOCS): Despencou de 80 para 39 pontos, o que significa a estabilização e o fim do Pronto-Socorro lotado.
- Tempo de Ficha até a Consulta (Porta-Médico): Caiu de 1h15 (75 min) para 47 minutos.
- Tempo de Passagem para quem vai Internar: Diminuiu de 6h09 para 5h06.
- Tempo de Passagem para quem recebe Alta: Reduzido de 2h48 para 1h53, liberando mais rápido quem já está bem.
- Espera por Exames de Laboratório: Encolheu de 2h30 (150 min) para 1h32 (92 min), acelerando os diagnósticos.
Para a Dra. Nelzina Lara, coordenadora médica do Núcleo Interno de Regulação (NIR), o impacto foi imediato: “O programa mudou nossa engenharia de processos e nos ajudou diretamente a reduzir a lotação e a organizar de forma inteligente cada ponto de cuidado”.
Melhoria para funcionários e expansão do projeto
A otimização dos fluxos de trabalho também trouxe reflexos positivos para quem atua no hospital. A Diretora Clínica da instituição, Caroline Maia, destacou que as medidas adotadas melhoraram de forma substancial as condições de trabalho médico, dando mais segurança e velocidade aos plantonistas. Integrada a esse pensamento, a gerente de Enfermagem, Ana Letícia Gazarini, fez questão de agradecer o empenho coletivo: “O sucesso foi de todos; agradeço imensamente a união e dedicação de todos os setores do hospital, que se uniram por um fluxo mais eficiente”.
O superintendente da Santa Casa, Rafael Olinto, reforçou que as metas alcançadas superaram as expectativas. “Este é um projeto de melhoria contínua, uma cultura que se estabelece de vez na Santa Casa e que vai continuar a gerar frutos a longo prazo”, pontuou.
Diante do sucesso na Urgência e Emergência, a alta gestão garantiu que o modelo de gestão será expandido. O provedor do hospital, Dr. Ângelo Lara, anunciou os próximos passos: “Este método que foi aplicado com absoluto sucesso na nossa emergência vai ser ampliado para as demais áreas assistenciais e administrativas da Santa Casa de Guaxupé”.
A partir de agora, o hospital entra em uma fase de monitoramento remoto e quatro meses com o Ministério da Saúde para garantir a manutenção dos excelentes resultados em benefício de toda a população da região.






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