Parceria entre universitária e ilustrador resulta em gibi contra a violência infantil

Criada por estudante de Guaranésia e ilustrador local, a revistinha “Meu Corpinho, Meu Tesouro” usa super-herói negro e linguagem lúdica para proteger crianças em escolas públicas da região.

Parceria entre universitária e ilustrador resulta em gibi contra a violência infantil
Maria Julia e Junior Soares (Pão) - Foto: Divulgação

Uma iniciativa nascida na região promete ser uma ferramenta poderosa na proteção da infância neste Maio Laranja, período dedicado à conscientização e ao Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil. Os moradores de Guaxupé e Guaranésia agora contam com um aliado especial nesta luta através do mini gibi “Meu Corpinho, Meu Tesouro”. O projeto foi idealizado pela estudante de Pedagogia Maria Júlia, que reside atualmente em Guaranésia, e ganhou vida através dos traços marcantes do ilustrador independente Junior Soares, amplamente conhecido na região como Santo Pão.

O projeto teve sua gênese no ambiente acadêmico, fruto de um Projeto Integrador do IFSULDEMINAS – Campus Muzambinho. A faísca inicial partiu de uma demanda real apresentada pela Escola CEMEI Professora Tereza Cristina, localizada no município de Guaranésia. Diante do desafio de abordar um tema de tamanha complexidade e delicadeza com a primeira infância, a estudante enxergou na literatura em quadrinhos a linguagem ideal. A proposta era falar sobre os limites do corpo de forma lúdica, divertida e que chamasse a atenção dos pequenos. Para materializar essa visão, a parceria com o ilustrador Santo Pão foi o elo determinante, moldando o universo visual da obra com profunda sinergia artística.

A narrativa de “Meu Corpinho, Meu Tesouro” constrói uma metáfora clara e acessível sobre segurança e consentimento. O enredo introduz a figura do Capitão Lumi, um super-herói cuja missão principal é atuar como o protetor oficial das crianças. Longe de usar a força bruta, as armas do herói são o ensinamento e o diálogo, instruindo os pequenos sobre o valor de seus corpos, delimitando o que são os toques respeitosos e alertando sobre a importância de não permitir que qualquer pessoa ultrapasse esses limites.

O universo visual da revistinha foi meticulosamente construído para trazer debates modernos e importantes, tendo a diversidade com um pilar central. O Capitão Lumi se destaca como um herói negro com dreads no cabelo, garantindo uma representatividade marcante e necessária. A pluralidade também se estende aos protagonistas infantis, como Akim, que traz a identidade indígena, e Jabari, com nome de origem africana. Além disso, a história traz um alerta essencial sobre a falsa sensação de segurança: inserido no cenário de um parque de diversões, o perigo surge na figura de um inusitado vendedor de balões com temática de cachorros, mostrando visualmente às crianças que a ameaça pode vir da forma mais inocente possível. Em uma bela homenagem, a própria autora, Maria Júlia, foi eternizada nas páginas como a professora da turma, servido como o porto seguro da narrativa.

Sendo uma iniciativa estritamente humanitária e pedagógica, o gibi foi custeado inteiramente com recursos do próprio bolso da autora em parceria com o ilustrador. Sem visar qualquer tipo de lucro ou comercialização, a tiragem inicial foi planejada de maneira estratégica para atender à comunidade, com foco absoluto na doação e distribuição direta em escolas públicas da região e em bibliotecas locais.

Diante o impacto positivo imediato nas primeiras entregas, os idealizadores têm total abertura para expandir as impressões e alcançar novos territórios, desde que surjam novos apoios ou parcerias institucionais. Maria Júlia ressalta que todos os dias deveriam ser laranja e que o debate não deve ficar restrito apenas ao mês de maio. Para quem deseja colaborar com o projeto de ampliação das tiragens, fazer parcerias ou agendar distribuições em bibliotecas e escolas de Guaxupé e Guaranésia, o contato pode ser feito diretamente com os idealizadores pelos perfis do Instagram @_domaju, de Maria Júlia, e @osantopaoo, de Junior Soares.

*Com informações Cultivo Hip Hop