Bariri ganha o centro cultural “Leôncio & Leonel”, um novo espaço dedicado à cultura e à memória da música sertaneja

Bariri ganha o centro cultural “Leôncio & Leonel”, um novo espaço dedicado à cultura e à memória da música sertaneja

A Prefeitura de Bariri entregou, na noite da última sexta-feira (03), o novo Centro Cultural “Leôncio & Leonel”, instalado no prédio do antigo Tiro de Guerra. O espaço passa a ser um importante ponto de encontro para a promoção da cultura, da arte e da valorização da história do município.

A homenagem reconhece a trajetória de Leôncio & Leonel, uma das mais importantes duplas da música sertaneja brasileira, que levou o nome de Bariri para todo o país, encantando gerações com seu talento e contribuindo para a divulgação da cultura popular brasileira.

Mais do que um novo equipamento público, o Centro Cultural preserva a memória desses grandes artistas e fortalece o compromisso do município com o incentivo às manifestações culturais, oferecendo um espaço dedicado a eventos, apresentações, oficinas e ações voltadas à comunidade.

Após a solenidade de inauguração, o público participou da tradicional Festa Junina organizada pela Fios de Afeto, que reuniu famílias em uma noite de muita música, comidas típicas, dança e alegria, celebrando este importante momento para a cultura baririense.

 

Trajetória artística

Benedito Leonel, o Leôncio, nasceu no dia 11 de fevereiro de 1932 em Itaju. Faleceu em 15 de novembro de 2002, em Bariri. Guido de Souza, o Leonel, nasceu no dia 14 de dezembro de 1934, também em Itaju, e faleceu em 27 de abril de 2013 na cidade de Bauru.

Curiosamente os sobrenomes são diferentes; apesar de serem irmãos, o integrante da dupla com o nome artístico de Leonel não tem esse sobrenome, ao contrário de Leôncio. Os irmãos nasceram na roça e foram criados ajudando os pais no plantio de café, mas não abriram mão de cantar e tocar viola. Passaram a infância e a adolescência em Arealva, Bariri e Itapuí.

Como dupla caipira, os irmãos Leonel iniciaram a carreira artística em Bariri, no início da década de 50. E nessa época eles se apresentaram pela primeira vez na Rádio Cultura de Pederneiras. Em 1954 incentivados por diversos fãs e amigos, seguiram para a capital paulista, levado pelo amigo Cride Riqueza.

Em São Paulo, os irmãos Leonel conheceram seus maiores ídolos: Tonico e Tinoco. E o nome artístico “Leôncio e Leonel”, adotado pela dupla a partir de então, foi por sugestão do Tonico, da Dupla Coração do Brasil que já fazia enorme sucesso.

E foi na Rádio América de São Paulo que a dupla se iniciou profissionalmente, em 1955, quando foram apresentados ao Nhô Crispim por Teddy Vieira e Euclides Riqueza. Nhô Crispim apresentava o Programa “Alvorada Sertaneja”, ao vivo, das 6 às 7 horas da manhã.

Com o término do contrato com a Rádio América, a Rádio Bandeirantes de São Paulo já estava de olho na jovem dupla que foi contratada e lá permaneceu por 8 anos, nos programas “Serra da Mantiqueira”, comandado pelo Comendador Biguá e “Brasil Caboclo”, do Capitão Barduíno.

Em 1956 Diogo Mulero, o Palmeira, era diretor artístico da RCA Víctor e descobriu o talento de Leôncio e Leonel, convidando-os para gravar o primeiro disco, o que se deu no dia 06 de agosto de 1956. Isso consolidou o maior sucesso da dupla, “Casinha de Aço”. (Roque José de Almeida e Teddy Vieira). 

Em 1957, Palmeira saiu da RCA e passou a ser diretor artístico da Chantecler, para onde levou seus artistas, como as Irmãs Galvão, Sulino e Marrueiro, além de Leôncio e Leonel e da própria dupla Palmeira e Biá que eram duplas que até então gravavam pela RCA.

Na Chantecler, Leôncio e Leonel estrearam em 1958 com a moda de viola “Boi Fumaça”. Por essa época, Leôncio e Leonel faziam bastante sucesso em todo o Brasil. Em 1961 gravaram na Chantecler o primeiro LP, intitulado “A Voz do Sertão”.

A dupla viajou bastante pelas regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil. No início da década de 70 eles se mudaram para Londrina-PR onde residiram por cinco anos e atuaram na Rádio Auri Verde naquela cidade.

Voltando de Londrina, Leôncio e Leonel foram morar definitivamente em Bariri. Como não aceitaram certas imposições das gravadoras de um modo geral, a dupla ficou sem gravar no período de 12 anos, que foi de 1984 a 1996, quando por insistência dos amigos, colegas e fãs, voltaram a gravar e a viajar.

Leôncio e Leonel apresentavam seus programas na Rádio Cultura de Bariri até novembro de 2002, quando Leôncio veio a falecer. Leonel continuou trabalhando na mesma emissora após o falecimento do irmão, no entanto, não voltou mais a cantar.

A maior parte do repertório de Leôncio e Leonel é composta de toadas, apesar da dupla também ter gravado modas de viola, pagodes, cateretês e outros ritmos diversos.
Além de composições próprias, Leôncio e Leonel também gravaram músicas de diversos renomados compositores, como Moacyr dos Santos, Sulino, Roque José de Almeida, Roberto Stanganelli, Benedito Seviero, José Fortuna, entre outros.
Leôncio e Leonel gravou ao longo de sua carreira um total de 27 discos 78 rpm, 03 compactos e 22 LPs, além de 04 CDs de coletâneas, 03 CDs remasterizados de LPs e 02 CDs de lançamento.

 

Fonte: Recando Caipira

Texto: Sandra Cristina Peripato