Câmara convoca Diretora de Educação e abre CEI para investigar denúncias de agressão, racismo e até corte de cabelo forçado em creches de Bariri

Câmara convoca Diretora de Educação e abre CEI para investigar denúncias de agressão, racismo e até corte de cabelo forçado em creches de Bariri

O caso da criança de dois anos, vítima de maus-tratos na creche Nelly Chidid, continua gerando grande repercussão em Bariri. Conforme publicado na última semana, na esfera administrativa, uma cuidadora temporária (C.R.S.) e duas auxiliares de desenvolvimento infantil (J.R.D.S. e J.R.A.B), foram afastadas de suas atividades, além de virarem alvo de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), ação que pode culminar em tripla exoneração por justa causa ao final da apuração.

Na esfera criminal, a Polícia Civil, por meio do delegado dr. André Ferreira, abriu inquérito de maus-tratos e lesão corporal, que pode acabar sendo futuramente tipificado para crime de tortura. Imagens de câmeras de monitoramento e segurança teriam confirmado a suposta agressão por parte de duas profissionais e conivência por parte da terceira envolvida. As imagens estão sob total sigilo por envolver menores de idade.

Já na esfera política, a Câmara Municipal de Bariri abriu Comissão Especial de Inquérito (CEI) na sessão desta segunda-feira (04), após requerimento de autoria da vereadora Aline Prearo (Republicanos), ter alcançado o número necessário de assinaturas. Posteriormente, o documento que instaurou a CEI foi assinado por todos os vereadores, fato que configurou a unanimidade dos nobres em relação à abertura da investigação.

Para a imprensa, Aline Prearo explicou que ela e os demais vereadores estão sendo cobrados em relação ao caso ocorrido na creche Nelly. De acordo com Aline, a CEI dará as ferramentas e autoridade necessárias para que o Legislativo investigue por conta própria o fato, ouvindo testemunhas e tendo acesso a arquivos sigilosos, como a gravação que flagrou as agressões – vídeo este que, até então, não foi divulgado aos vereadores.

Além do mais recente caso da creche Nelly, a CEI também deve investigar a denúncia de racismo registrada em junho do ano passado, na creche Leonor Mauad Carreira, próxima ao SESI. Neste caso, uma professora teria supostamente proferido ofensas raciais contra duas crianças negras. A denuncia foi feita primeiramente à presidente do Conselho da Comunidade Negra de Bariri, Clarina Genaro, que levou o caso às autoridades municipais por meio de ofício.

A mesma professora envolvida na denúncia de racismo (G. F. S.), também foi acusada, na mesma época, de ter maltratado uma criança na mesma unidade – fato este também flagrado por câmeras de segurança e monitoramento. Duas sindicâncias foram abertas: uma para apurar a denúncia de agressão; outra para apurar o caso de racismo.

A professora G. F. S. foi praticamente absolvida da denúncia de agressão. Em portaria publicada em 06 de fevereiro de 2026, foi divulgada a penalidade aplicado à docente ao término da sindicância: “suspensão, pelo prazo de 30 (trinta) dias, com prejuízo da remuneração”. G. F. S. voltou a ministrar aulas, mas acabou transferida de unidade escolar. A sindicância que apura o suposto racismo continua em aberto e já dura aproximadamente 10 meses.

Além de abrir CEI, o Legislativo também convocou a Diretora Municipal de Educação, Cinira Mazotti, para prestar esclarecimentos sobre as diversas denúncias de maus-tratos na rede municipal de educação. A expectativa é que Cinira utilize a tribuna da Cãmara na próxima sessão ordinária, marcada para às 20h do dia 18 de maio.

 

Corte de cabelo forçado, bebida alcoólica e outras denúncias

Além dos dois casos acimas mencionados, a Comissão Especial de Inquérito também visa apurar outras denúncias envolvendo a creche Nelly Chidid. O requerimento que deu origem a CEI anexou comentários de internautas, mães de alunos do ensino municipal infantil, desabafando sobre casos ocorridos com os próprios filhos.

O comentário que mais chama a atenção, sem dúvidas é o de uma mãe que diz que sua bebê de apenas um ano de idade, teve o cabelo cortado na escola, sem autorização dos pais.

“Para resumir a história: nessa mesma creche cortaram o cabelo da minha bebê de um ano. No dia do ocorrido, ela ficou assustada e sem dormir por noites. A diretora disse que analisou as imagens e não achou o momento do ocorrido. Eu não tenho quem fique com ela; preciso da vaga. Mas os casos de agressão são frequentes. Dois anos atrás, minha sobrinha de 1,8 ano apanhou na creche e levou 15 mordidas. Foi naquela creche perto do Santa Helena”, diz o relato.

Em 25 de fevereiro, sete ADIs da Creche Nelly também foram alvos de sindicância, por comportamentos considerados negligentes. Segundo informações extraoficiais apuradas pela reportagem do Noticiantes, uma criança teria consumido água sanitária e, em outro caso, foi encontrada uma garrafa de bebida alcoólica armazenada de maneira inapropriada na geladeira da creche (portarias nº. 12.010/2026 e nº 12.011/2026).

Ainda segundo apurado por nossa reportagem, a criança que teria consumido água sanitária seria a mesma criança agora vítima de agressão. Inclusive, a cuidadora temporária acusada de maus-tratos teria sido designada pela Educação após o caso da água sanitária vir à tona, com o objetivo de cuidar exclusivamente desta criança.

Em suma, o objeto de investigação da CEI é apurar:

  • Denúncias de maus-tratos e agressões contra crianças em creches municipais;
  • Possíveis práticas de violência e agressões no ambiente escolar;
  • Verificar a conduta de servidores e gestores envolvidos;
  • Avaliar a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e supervisão;
  • Identificar falhas estruturais na rede municipal de ensino infantil;
  • Apurar responsabilidades administrativas, civis e eventualmente penais;
  • Propor medidas preventivas e corretivas.

 

Composição da CEI

Ao final da sessão ordinária, em consenso, os vereadores definiram presidente, relator e membro da Comissão Especial de Inquérito. A CEI ficou composta da seguinte forma: Daniel de Madureira (presidente); Aline Prearo (relatora); Priscila Domingos (membro). A CEI terá o prazo inicial de 90 dias (prorrogáveis) para conclusão dos trabalhos.

Uma Comissão Especial de Inquérito não tem caráter julgador. As competências da CEI são investigar um fato determinado, produzindo provas para a elucidação das irregularidades constatadas.

Após os processos serem concluídos, comissões CEI apresentam um relatório de suas conclusões acerca dos fatos investigados, que é levado à votação em Plenário. Esse relatório conclusivo deverá, quando for o caso, ser encaminhado ao Ministério Público, para promover, quando for o caso, a responsabilidade civil e criminal dos envolvidos.