Estudantes acusam escola de praticar suposta coação após denúncia de revista pessoal; Equipe gestora nega por meio de nota
“Gostaria de fazer uma denúncia. Foi feita uma publicação sobre a escola Idalina, sobre a revista, onde os alunos foram alvos de constrangimento. Nós, alunos, com revolta do que havia sido feito, expressamos nossas opiniões de modo público como ato de protesto. Com o retorno das aulas, os alunos foram chamados na direção da escola para serem interrogados, pela questão dos comentários que haviam sido feitos na publicação. A direção da escola questionou os comentários que foram feitos, sendo que os comentários são formas de opinião pública. Nós, alunos, achamos o cúmulo sermos alvo de questionamentos por conta de comentários que foram feitos fora da escola. Gostaríamos que, se possível, isso também fosse publicado para que a escola entenda que a opinião do aluno também tem que ser ouvida. O que importa é somente a opinião deles e não a nossa.” – Aluno da escola Idalina em WhatsApp enviado ao Noticiantes.
O imbróglio entre alunos e direção da Escola Estadual Profª Idalina Vianna Ferro, parece estar longe de acabar. Nesta semana, reportagem do Noticiantes foi novamente acionada por estudantes que acusam a escola de suposta prática de coação. Segundo os relatos, isso ocorreu após os adolescentes denunciarem, nas redes sociais, o novo protocolo da escola, que adotou a revista pessoal e o recolhimento de celulares no horário de entrada.
Tudo começou quando a direção da escola avisou a comunidade escolar, na última semana, sobre o novo protocolo, com base na Lei Estadual nº 12.730/2007, que proíbe o uso de celulares em ambiente escolar.
“Todos os celulares serão recolhidos na 1ª aula e devolvidos somente na última aula do dia. Essa medida tem como objetivo garantir maior concentração dos estudantes e um ambiente de aprendizagem mais saudável. Importante: Caso o aluno se recuse a entregar o aparelho, os responsáveis serão comunicados e o estudante será encaminhado para casa. Se for identificado o uso do celular de forma indevida ou escondida, o aparelho será entregue apenas ao responsável e o aluno estará sujeito a medidas disciplinares específicas”, diz a mensagem da escola envida às famílias.
Depois do aviso e com o recolhimento em vigor, adolescentes e pais relataram supostos abusos no cumprimento do novo protocolo. “meu filho chegou em casa chorando e se sentindo constrangido”, disse uma mãe.
“Todos os alunos, de todos os anos foram revistados. Alguns só a bolsa, outros tiveram que levantar a camisa, barra da calça e mostrar os bolsos. Não adianta o pai e a mãe tirar o celular, porque chegando na escola, eles revistam pra ver se não está mesmo. A palavra do aluno, pra eles, não serve de nada! O primeiro problema é que quem estava revistando os alunos; era a gestão e funcionários, não um policial que tem direito disso. Muitos alunos me relataram assédio e importunação sexual. Alguns falaram que, após negar levantar a blusa e etc, já levaram suspensão pela recusa. A verdade é que não querem tirar o celular para melhorar a educação; querem tirar o celular para que vocês, pais, não tenham acesso a verdade – que na realidade, é muito pior do que isso. A verdade é que, na escola Idalina, estão tendo brigas e casos terríveis de indisciplina desde o início do ano e, com os celulares, nós gravamos e mostrávamos para os responsáveis. Não é justo vivermos em uma escola que não tem segurança. Como a escola não quer ter má reputação? Ao invés de resolverem o problema, tiraram nosso celular para que a gente não consiga mais denunciar”, comentou um aluno nas redes sociais.
Em nota enviada à nossa reportagem, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo disse que a Diretoria de Ensino de Jaú deve investigar o caso.
“A Unidade Regional de Ensino (URE) de Jaú informa que instaurou uma apuração preliminar para averiguar a conduta da direção quanto aos protocolos que devem ser seguidos, o que poderá resultar em sanções aos profissionais, se necessário. A URE de Jaú repudia qualquer forma de violência, dentro ou fora do ambiente escolar, e permanece à disposição da comunidade para eventuais esclarecimentos”, diz o comunicado.
Depois da repercussão da matéria expondo a revista pessoal dos alunos nas redes sociais, com quase 250 comentários, incluindo posts de vários estudantes, os jovens alegam que a escola questionou os alunos que expressaram suas opiniões na internet, uma suposta tentativa de coação.
Nossa reportagem acionou diretamente a direção da escola Idalina, que enviou a seguinte nota:
A Escola Idalina reitera que segue rigorosamente as legislações federais e estaduais vigentes, incluindo as normas que regulamentam o uso de aparelhos eletrônicos no ambiente escolar.Nosso objetivo é sempre o diálogo, conduzido de forma respeitosa e transparente, para esclarecer fatos e garantir que nenhum estudante se sinta desrespeitado ou maltratado.Reafirmamos que jamais houve qualquer tipo de coação ou constrangimento aos alunos. Todas as ações da escola têm como foco o cuidado, o acolhimento e o fortalecimento de vínculos positivos entre estudantes, famílias e equipe escolar.A Escola Idalina prima pela oferta de uma educação de qualidade, comprometida não apenas com o desenvolvimento acadêmico, mas também com a formação integral de cidadãos de bem, protagonistas e responsáveis, preparados para atuar de forma ética e consciente na sociedade.Nos mantemos sempre abertos ao diálogo com os estudantes e suas famílias, certos de que a parceria e a confiança são essenciais para o sucesso da aprendizagem e da convivência escolar. Atenciosamente,
Equipe Gestora – Escola Idalina.















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