MP apura possível tentativa de fuga do marido da prefeita de Bauru antes da prisão
O ex-secretário de Governo de Bauru Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), teria tentado fugir antes de ser preso na última semana, segundo informou a imprensa bauruense.
O Ministério Público investiga se Purini identificou antecipadamente a movimentação de equipes policiais, com o objetivo de dificultar o cumprimento das medidas judiciais contra ele. A suspeita consta em um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), coordenado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o documento, Purini deixou o condomínio onde mora com a prefeita na madrugada de sexta-feira (16), enquanto as equipes policiais se preparavam para cumprir os mandados judiciais no local. Ele passou a ser acompanhado pelos agentes e acabou abordado na avenida Getúlio Vargas, na Zona Sul da cidade, onde foi cumprido o mandado de prisão preventiva.
O trajeto percorrido pelo ex-secretário chamou a atenção dos investigadores. Conforme o MP, ele passou pelas proximidades da sede da instituição, seguiu pela região da Prefeitura e retornou às imediações do próprio condomínio, sem entrar no residencial. A sequência de deslocamentos levantou a hipótese de que ele estivesse verificando a presença e a movimentação de policiais.
“Em vez de seguir diretamente para determinado destino, Renato transitou pelas proximidades da sede do Ministério Público, posteriormente passou pela região da Prefeitura Municipal e, em seguida, retornou às imediações de seu próprio condomínio residencial, passando novamente em frente ao local, porém, sem nele ingressar. Repetindo a sequência de deslocamentos, especialmente por locais relacionados à investigação e ao cumprimento das medidas judiciais, despertou fundada atenção das equipes, pois se mostrou compatível com a hipótese de que o investigado estivesse realizando verificações externas destinadas a identificar movimentações policiais, inclusive nas proximidades de sua residência”, diz o MP.

No documento, o Ministério Público afirma que as circunstâncias ainda precisam ser aprofundadas, mas considera que elas podem indicar uma conduta destinada a antecipar a atuação policial e dificultar a efetividade das medidas judiciais. Entre os pontos a serem apurados está uma eventual intenção de fuga.
A investigação busca esclarecer se houve informação privilegiada ou alguma ação premeditada para frustrar o cumprimento dos mandados. As suspeitas descritas no procedimento ainda são objeto de apuração.
HC negado
O Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo negou o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Renato Purini, mantendo a sua prisão preventiva. A decisão foi proferida pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione.
O ex-secretário é investigado por seu envolvimento em um esquema fraudulento que engloba os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações.
Na tentativa frustrada de habeas corpus, os advogados sustentaram que não havia demonstração de riscos reais caso ele permanecesse em liberdade e que a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão seria suficiente para o caso.
Contudo, o magistrado do Plantão de Segunda Instância rejeitou os argumentos iniciais, destacando que a concessão de liminar em tais circunstâncias é uma providência excepcional, cabível apenas quando a ilegalidade do ato é manifesta, o que não foi verificado na análise preliminar dos documentos apresentados.
Ao indeferir o pedido, o desembargador enfatizou que a manutenção do isolamento cautelar do investigado faz-se necessária para a garantia da ordem pública e da ordem econômica, bem como por conveniência da instrução criminal e para assegurar a futura aplicação da lei penal. O magistrado reforçou que nenhuma das medidas alternativas previstas no Código de Processo Penal seria eficaz diante da gravidade das condutas narradas.
Elementos como mensagens de texto, registros de chamadas telefônicas e áudios compartilhados judicialmente — obtidos a partir de aparelhos apreendidos na primeira fase da "Operação Cavalo de Tróia" — apontam que Purini teria utilizado as prerrogativas de seu cargo público para interferir diretamente em um procedimento licitatório fraudado.















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