Cavalo de Troia: Marido da prefeita Suéllen Rosim é preso pelo Gaeco em Bauru
Operação coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, prendeu, nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (16), o secretário de Governo da Prefeitura de Bauru, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim.
A detenção é parte da Operação Cavalo de Troia, que apura esquema de fraude na licitação para concessão dos serviços de lixo, já cancelada. No início dela, o MP prendeu sete pessoas.
Nesta manhã, os agentes cumpriram mandados de busca na residência da prefeita Suéllen Rosim (PSD) e também nas dependências do prédio da Prefeitura de Bauru. A ação é um desdobramento da "Operação Cavalo de Troia", investigação que já havia resultado na prisão de ex-secretários ligados à administração municipal.
“A Prefeitura de Bauru confirma a realização de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) na manhã desta sexta-feira (16). Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, disse a administração por meio de nota.
A Operação Cavalo de Troia investiga o esquema para fraudar a licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru, projetada para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato da história do município.
CP do Lixo
A prisão de Purini ocorre no mesmo dia em que a prefeita Suéllen Rosim é esperada para depor na Comissão Processante (CP) do Lixo, a partir das 14h. O Gaeco também faz buscas de documentos na casa de Purini, em um condomínio na Zona Sul da cidade.
Investigação
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público começaram em março a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Ascam.
Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, tinha ligação com uma facção criminosa e usava a influência para intimidar os trabalhadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura de Bauru com dispensa de licitação.
A partir do monitoramento de ligações de Valdomiro e da esposa dele, Gisele Moretti, presidente da associação, o Ministério Público descobriu que o casal também articulava esquemas para pedir propinas e interferir na licitação da gestão do lixo na cidade.
A interceptação das conversas revelou a participação de secretários municipais e executivos de empresas, o que levou à deflagração de duas operações paralelas promovidas pelo Gaeco com o apoio da Polícia Militar.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão temporária de sete pessoas:
- Cilene Chabuh Bordezan: ex-secretária municipal de Meio Ambiente;
- Vitor João de Freitas Costa: ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos;
- Sara Moura de Jesus: ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente;
- Hamilton Libório Agle: proprietário e CEO da empresa Estre Ambiental;
- Talita de Andrade Soares Chieregatti: funcionária da Estre Ambiental;
- Gisele Moretti: então presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam);
- Valdomiro Pereira da Silva Filho: empresário e marido de Gisele Moretti.















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