Operação Lívia: Adolescente é apreendido em Jaú em ação que investiga morte de menina transmitida em rede social
Um adolescente de 17 anos foi apreendido em Jaú durante a segunda fase da Operação Lívia da Polícia Civil, realizada nesta terça-feira (15), em quatro estados e no Distrito Federal. A ação investiga redes criminosas que usavam o Discord e outras plataformas digitais para coagir menores e cometer atos de crueldade contra animais.
O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.
Em Jaú, o alvo foi o jovem de 17 anos, que foi apreendido e deve ser encaminhado para uma unidade da Fundação Casa, ficando à disposição da Vara da Infância e Juventude.
Na casa dele, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, sendo apreendidos diversos equipamentos eletrônicos, entre eles: dois celulares, um notebook, uma CPU, pen drive e dois HDs.
De acordo com as investigações, o adolescente é suspeito de ser membro de uma das plataformas em que uma adolescente foi filmada se lesionando.
Operação Lívia

O Ministério da Justiça e Segurança Pública coordena 2ª fase da Operação Lívia contra crimes de ódio e indução digital ao suicídio. A nova etapa é o desdobramento e continuidade direta das investigações da primeira fase, que permitiram avançar na análise de provas e resultaram na identificação de outros envolvidos no esquema criminoso.
O objetivo é combater e neutralizar redes de extremismo, misoginia, crueldade contra animais e coerção psicológica praticadas contra crianças e adolescentes no ambiente digital.
As investigações tiveram início com a apuração do caso da adolescente de 13 anos induzida à automutilação, crueldade e ao suicídio por meio de plataformas virtuais. O caso aconteceu em julho em Naravaí-MS.
Por causa da repercussão desse caso, as transmissões ao vivo no Discord estão suspensas no Brasil desde o dia 12 de agosto, por decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A partir de computadores, telefones e mídias apreendidos na primeira etapa, a equipe do laboratório de operações cibernéticas auxiliou na identificação de novos integrantes, administradores e moderadores que atuavam no recrutamento e na chantagem de vítimas vulneráveis (prática conhecida como “escravidão digital”).
Com as novas identificações, a segunda fase avança para desmantelar a estrutura do grupo de forma integral, neutralizar a infraestrutura dessas comunidades e resgatar potenciais vítimas em risco iminente.
Na primeira fase, que aconteceu no início de agosto, um adulto foi preso e outros cinco adolescentes apreendidos, entre eles um adolescente de 14 anos considerado o líder do grupo. Ao todo, 11 pessoas foram presas e apreendidas responsabilizadas pelo caso.
Relembre o caso
Livia Cioca Ferreira morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela havia sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio.
Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. Usando informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas, como Discord e Telegram.
A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos.















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