Pai de aluno da Creche Leonor relata que servidora lhe entregou criança errada na hora da saída

Pai de aluno da Creche Leonor relata que servidora lhe entregou criança errada na hora da saída

O pai de um aluno matriculado na Creche Prof.ª Leonor Maud Carreira, unidade de ensino infantil localizada na Avenida Perimetral Prefeito Domingos Antonio Fortunato, próxima ao Sesi, denunciou uma situação vivenciada no horário da saída dos alunos na sexta-feira passada (25).


Segundo o relato do pai, que foi ao ar com exclusividade através de apuração do jornalista Paulinho Camilo na edição desta segunda-feira (28) do Jornal Primeira Página, transmitido pelo Sistema Belluzzo de Comunicação, no dia do fato, ele foi buscar seu filho na creche e, após informar o nome da criança, a servidora responsável pela entrega dos alunos lhe entregou um garoto que não era seu filho.


Imediatamente percebendo o erro, o homem diz que chamou a atenção da servidora, que logo após voltou com a criança certa. No entanto, ele diz ter ficado extremamente preocupado com a falha, uma vez que outra pessoa poderia pegar uma criança que não fosse de sua responsabilidade com muita facilidade.


O denunciante (que terá sua identidade preservada), ainda afirmou que, ao comentar tal risco com funcionárias da creche, teve sua preocupação minimizada. Ele teme que, caso registre boletim de ocorrência ou formalize uma denúncia no Setor de Educação, seu filho perca a vaga na creche, motivo pelo qual resolveu recorrer à imprensa.  


Por fim, o pai desabafou que está descrente de que a denúncia possa surtir efeito, citando o caso da professora acusada de suposto racismo contra um aluno na mesma creche; tal caso, ocorrido em junho do ano passado, ainda permanece sem resolução administrativa.  Confira abaixo o relato do pai da criança na íntegra:


“Na sexta-feira, eu fui buscar o [NOME DA CRIANÇA], né? Sempre no horário das quatro horas que eu pego o meu menino. E nesse horário, normalmente, o portão da creche já está aberto. Aí eu cheguei e o portão estava fechado, mas isso aí não é problema algum. Uma funcionária chegou perguntando quem eu fui pegar. Falei que era o meu filho, o [NOME DA CRIANÇA], do Maternal. 
Essa funcionária foi e, quando chegou para entregar a criança, me entregou uma criança que não era meu filho. E ela estava fechando o portão de novo, entendeu? Aí eu falei: ‘peraí moça, mas esse menino não é meu filho’. Ela estava entregando outra criança para mim. Eu falei: ‘meu Deus do céu, como isso pode acontecer? Isso não pode acontecer, moça. Isso não pode acontecer nunca, jamais!’. 
Uma conhecida minha estava junto comigo e viu tudo. Eu entrei em choque e fiquei nervoso. A moça assustou também e me entregou meu filho depois. Na segunda-feira, fui buscar o meu menino de novo e  falei que eu gostaria de conversar com a diretora. Contei pra ela que na sexta-feira tinha ocorrido um caso muito grave. E ela meio quis tirar essa pressão, essa culpa. Ela falou: ‘mas a gente é sujeito a erro’. Respondi pra ela que esse tipo de erro não poderia ocorrer jamais. E se eu sou uma pessoa estranha? Levo essa criança embora?  Ela falou: ‘mas aqui em Bariri, não tem isso’. Falei que tem sim! Independentemente se tiver pessoas ruins ou não, isso daí não pode acontecer. 
Aí ela falou assim: ‘mas foi a fulana; ela tem um probleminha de cabeça. Então a gente tem que relevar’.  Falei: ‘relevar o que? Você tem que remanejar ela para outro cargo. Não pode deixar uma pessoa dessa entregar criança’. Em determinada hora da conversa, ela falou para mim que já aconteceu isso, dessa funcionária errar criança. Olha só que absurdo!
Quando eu vim fazer a matrícula do [NOME DA CRIANÇA], eles pediram todas as informações do responsável, nome do pai, da mãe, de todo mundo que vem pegar criança.  Nós estamos nas mãos dessas pessoas.”

 

Crianças “trocadas” têm o mesmo nome

Em nota enviada ao Noticiantes, a Diretoria Municipal de Educação e Cultura de Bariri, pasta comandada por Cinira Mazotti, disse que tomou conhecimento da ocorrência através da direção da Creche Leonor Mauad Carreira, bem como o registro dos fatos e as imagens referentes ao episódio. Segundo ela, as crianças envolvidas na falha da funcionária possuem o mesmo primeiro nome, algo que gerou a confusão.

“Houve um equívoco na identificação inicial da criança conduzida ao local de saída, envolvendo duas crianças com o mesmo nome, matriculadas em turmas distintas. Entretanto, conforme a verificação das imagens, a criança permaneceu acompanhada pela funcionária durante todo o procedimento, não foi entregue ao adulto e não saiu desacompanhada da unidade. A existência de nomes iguais não dispensa a identificação cuidadosa. Reconhecemos que o equívoco não deveria ter ocorrido e lamentamos a preocupação causada à família”.


De acordo com a Diretoria, o procedimento de entrega dos alunos no momento da saída exige a identificação da criança e a conferencia da pessoa que comparece para retirá-la, conforme ficha de autorização preenchida pelo responsável no momento da matrícula.  

“A entrega somente pode ser realizada às pessoas formalmente autorizadas nesse registro. O conhecimento da criança e de seus familiares pela equipe deve integrar esse cuidado, mas não substitui a conferência da autorização. Em caso de dúvida ou divergência, a criança permanece sob os cuidados da unidade até o esclarecimento e a confirmação necessários”.


Por fim, mesmo o pai não tendo registrado oficialmente a ocorrência na Diretoria por medo de represálias, o setor garante que abriu procedimento administrativo e analisa as imagens do circuito de monitoramento e segurança da unidade, para esclarecer o ocorrido. O pronunciamento não citou se a funcionária responsável pelo erro será punida ou sofrerá qualquer tipo de consequência. 

 

Erro não foi cometido por ADIs, informa a categoria

Nossa reportagem também entrou em contato com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bariri, que informou ter tomado conhecimento do caso por meio de relatos de auxiliares de desenvolvimento infantil (ADIs) que atuam na unidade.

Segundo as profissionais, a entrega dos alunos naquele dia não foi realizada por nenhuma das ADIs, mas por outra servidora que exerce função distinta na creche e que, por circunstâncias ainda não esclarecidas, estava responsável pela entrega das crianças no momento em questão.

 

Suposto caso de racismo na mesma creche segue sem resolução

Como bem lembrou o pai da criança “trocada” em relato enviado à imprensa, a Creche Prof.ª Leonor Maud Carreira protagonizou, em junho de 2025, um suposto caso de racismo praticado por uma professora contra alunos.


Na época, uma denúncia anônima registrada acusava a docente identificada pelas iniciais G. F. S. de “agredir verbalmente e até mesmo fisicamente pelo menos duas crianças negras”. O fato supostamente teria ocorrido em sala de aula e sido presenciado por outras funcionárias da creche.


A Polícia Civil de Bariri, por meio do delegado dr. André Luiz Ferreira de Almeida, instaurou inquérito, também em junho do ano passado, para apurar o caso. O inquérito policial de “preconceito de raça e cor por prática de discriminação” foi aberto com base no artigo 20 da lei n°. 7.716, além de abordar o artigo 2A da mesma lei, que diz respeito a injúria racial “não ofender a dignidade de cor, etnia ou procedência nacional”. Agentes da Polícia Civil fizeram diligências na creche em 09 de junho de 2025, fator que chamou a atenção da imprensa regional.


O caso foi amplamente divulgado em reportagens exibidas na TV Tem e Portal G1 da Rede Globo, SBT Central, Jornal da Cidade (de Bauru), Rádio Energia FM (de Jaú), entre outros veículos, além da imprensa local de Bariri.

Em relação à suposta agressão física, no âmbito municipal, a Prefeitura Municipal de Bariri instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD), tomando como base imagens que teriam sido gravadas por câmeras de segurança da própria creche, instaladas em uma das salas de aula. 
Concluído em fevereiro deste ano, o PAD de agressão física resultou à professora a penalidade de “suspensão, pelo prazo de 30 (trinta) dias, com prejuízo da remuneração”. A sindicância que apura a denúncia de racismo, no entanto, já foi prorrogada por inúmeras vezes e segue em aberto, sem previsão de conclusão. 


A professora acusada foi transferida de unidade, lecionando agora na Creche Marina Budin, conforme informações do Portal de Transparência.