Demanda da Saúde Mental em Bariri cresce 400% em três anos, informa Rede de Atenção Psicossocial

Demanda da Saúde Mental em Bariri cresce 400% em três anos, informa Rede de Atenção Psicossocial

“A capacidade instalada do CAPS, hoje, é de 200 pacientes; a realidade é que temos, aproximadamente, 850 pacientes. Nos últimos anos, temos desenvolvido um trabalho importante de reorganização da Saúde Mental no município, com revisão de fluxos, construção de protocolos, organização dos processos de trabalho e fortalecimento da articulação entre CAPS, Ambulatório Especializado, Atenção Primária e os demais pontos da rede. Neste momento, um dos nossos principais desafios é avançar ainda mais nessa organização e preparar o serviço para a reorientação do modelo de cuidado prevista para 2027, fortalecendo a metodologia de trabalho do CAPS e qualificando cada vez mais o cuidado em saúde mental.” – Natália de Alice, Assistente Social Chefe da Rede de Atenção Psicossocial de Saúde.

 

No último mês, foi realizada em todo o território nacional a campanha “Setembro Amarelo”, ação de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, realizada no Brasil desde 2015. Considerado ainda um tabu para muitos, a Saúde Mental é um tema cada vez mais discutido pela sociedade, ao mesmo tempo em que a demanda de pacientes que necessitam desse tipo de cuidado aumenta a cada dia.
 

Em Bariri, os atendimentos de saúde mental acontecem no CAPS I, unidade que integra a Rede de Atenção Psicossocial do município – incluindo também o espaço onde funciona o Ambulatório Especializado de Saúde Mental “Dr. Fauze Farah”. A unidade atende pessoas que necessitam de cuidado especializado em Saúde Mental, especialmente aquelas que apresentam quadros de maior complexidade e necessidade de acompanhamento mais intensivo.

“O trabalho é desenvolvido por equipe multiprofissional e envolve atendimento psiquiátrico, psicológico, de enfermagem, além de acolhimentos, atendimentos individuais, atividades terapêuticas, orientação e acompanhamento familiar, visitas domiciliares, busca ativa, manejo de situações de crise e articulação com os demais serviços da rede. Uma parte muito importante do trabalho acontece também fora do atendimento individual. Realizamos discussões de casos, reuniões de equipe, construção de projetos terapêuticos e articulação permanente com a Atenção Primária, Santa Casa, Assistência Social, Educação, Conselho Tutelar, sistema de Justiça e demais serviços que participam do cuidado daquele usuário”, explica Natália de Alice, nomeada recentemente Chefe da Rede de Atenção Psicossocial de Bariri.

 

Segundo ela, a Saúde Mental apresenta, atualmente, uma demanda crescente no município: entre 2022 e 2026, foi identificado um aumento de aproximadamente 400% na procura por acompanhamento especializado em psiquiatria e psicologia.
 

Para se ter uma ideia, na Psiquiatria, o ambulatório passou de 386 atendimentos no ano de 2023, para 2.104 atendimentos somente nos primeiros nove meses de 2026 – um crescimento de aproximadamente 445%, mesmo antes do encerramento do ano. A Psicologia apresenta comportamento semelhante: foram realizados 725 atendimentos em 2023 e 1.596 somente nos nove primeiros meses de 2026 – um crescimento de aproximadamente 120% em relação ao total anual de 2023.

 

“Esse crescimento evidencia, não apenas a maior busca por cuidado em saúde mental, mas também a necessidade de ampliarmos a capacidade de resposta de toda a rede. Esse cenário aponta para a necessidade de fortalecer e ampliar o cuidado em saúde mental também na Atenção Primária, para que as Unidades Básicas de Saúde e as Estratégias de Saúde da Família estejam cada vez mais preparadas para acompanhar os casos compatíveis com esse nível de atenção, contando com suporte e articulação dos serviços especializados quando necessário”.
 


 

O grande desafio da rede, em Bariri, é qualificar essa demanda e organizar os diferentes níveis de cuidado: identificar quem necessita da intensidade de acompanhamento oferecida pelo CAPS, quem possui perfil para o Ambulatório Especializado e quais situações podem ser acompanhadas pela Atenção Primária. 


Natália explica que a proposta é construir uma rede integrada, com referência, contrarreferência e cuidado compartilhado, para que cada pessoa seja atendida no serviço mais adequado às suas necessidades, e possa transitar pela rede conforme a evolução do seu quadro, garantindo continuidade do cuidado.

 

Desmistificando a Saúde Mental

Além da estrutura organizacional, driblar o preconceito e as impressões inverídicas sobre os atendimentos de saúde mental também faz parte do desafio da rede. Falar sobre saúde mental ainda é um tabu na sociedade devido ao estigma histórico que associa os transtornos psicológicos à loucura, à fraqueza ou a um desajuste social. 

“Apesar de termos avançado muito, a Saúde Mental ainda é cercada por preconceitos e por uma compreensão muitas vezes equivocada sobre o sofrimento psíquico e sobre o próprio papel dos serviços de saúde mental. Por muito tempo, falar em transtorno mental significava falar em isolamento, internação e exclusão. Hoje trabalhamos com outra perspectiva: a pessoa deve ser cuidada em seu território, próxima de sua família e de sua comunidade, preservando seus vínculos, sua autonomia e seus direitos sempre que possível”, salienta Natália.


Para ela, é preciso urgentemente desmistificar a ideia de que procurar atendimento em saúde mental significa, necessariamente, possuir um transtorno mental grave. Para se ter uma ideia, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior número da última década. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Presidência Social.

“Ansiedade, depressão, luto, dificuldades emocionais, problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas e diversas outras situações fazem parte da realidade de muitas famílias e precisam ser tratadas com seriedade, mas sem estigma. Ao mesmo tempo, é importante que a população compreenda que existem diferentes níveis de cuidado. Nem toda demanda de saúde mental precisa ser acompanhada pelo CAPS ou por um psiquiatra. A Atenção Primária também desempenha um papel fundamental, assim como o Ambulatório Especializado e os demais componentes da rede. Quanto mais as pessoas compreenderem que saúde mental também é saúde, menor será o preconceito e maior será a possibilidade de buscar ajuda no momento adequado. Esse é também um dos nossos “Ansiedade, depressão, luto, dificuldades emocionais, problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas e diversas outras situações fazem parte da realidade de muitas famílias e precisam ser tratadas com seriedade, mas sem estigma. Ao mesmo tempo, é importante que a população compreenda que existem diferentes níveis de cuidado. Nem toda demanda de saúde mental precisa ser acompanhada pelo CAPS ou por um psiquiatra. A Atenção Primária também desempenha um papel fundamental, assim como o Ambulatório Especializado e os demais componentes da rede. Quanto mais as pessoas compreenderem que saúde mental também é saúde, menor será o preconceito e maior será a possibilidade de buscar ajuda no momento adequado. Esse é também um dos nossos compromissos enquanto serviço público: oferecer um cuidado técnico e humanizado, mas, sobretudo, enxergar a pessoa para além de seu diagnóstico”.

 

Função gratificada é aprovada pela Câmara com substitutivo

A Assistente Social Natália de Alice passou a assumir, desde a última semana, a função gratificada de “Chefe de Setor da Rede de Atenção Psicossocial de Saúde de Bariri”, conforme portaria de nomeação publicada pelo prefeito Airton Pegoraro (Avante), via edição do Diário Oficial de 24 de setembro. 


Bacharel em Serviço Social pela ITE Bauru, pós-graduada em Gestão Pública e especialista em Ciências Sociais, Natália, que até então estava à frente da coordenação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) e Ambulatório de Saúde Mental de Bariri, passa agora a ser oficialmente chefe de setor da rede.


“Embora a nomeação represente agora o reconhecimento formal dessa função, já venho atuando na coordenação do CAPS I e do Ambulatório de Saúde Mental há aproximadamente três anos. Então, recebo esse novo momento com muita responsabilidade, mas também com a segurança de conhecer o serviço, a equipe, a nossa rede e, principalmente, as necessidades da população que atendemos”, diz a profissional.


A função gratificada foi aprovada por unanimidade dos vereadores, na última sessão ordinária realizada pela Câmara Municipal de Bariri com ressalvas, já que houve o acréscimo de um substitutivo à matéria original. 


Na justificativa, o Executivo destaca que a criação da função gratificada visa atribuir formalmente a responsabilidade técnica, administrativa e gerencial - pela coordenação da Rede de Atenção Psicossocial, abrangendo o planejamento, acompanhamento e avaliação das ações e serviços, a coordenação das equipes multiprofissionais, o monitoramento de indicadores de desempenho e qualidade da assistência, a interlocução técnica com os demais setores da saúde, bem como a gestão de contratos, convênios, processos administrativos, fiscalização e controle da execução dos serviços vinculados à área.

“Chefiar uma unidade como o CAPS, que compartilha o espaço físico com o Ambulatório de Saúde Mental, é um desafio diário, porque trabalhamos com situações de grande complexidade. Não se trata apenas de administrar uma unidade ou organizar agendas e profissionais. É necessário coordenar uma equipe multiprofissional, gerir os casos, construir estratégias de cuidado, articular diferentes serviços da rede e, muitas vezes, tomar decisões diante de situações de crise e vulnerabilidade”, conclui Natália de Alice.

 

 

Atendimentos no CAPS seguem suspensos, com previsão de retorno para 06 de outubro  

A vencedora da licitação de especialidades médicas em Bariri foi a empresa Vitafourmed LTDA., com sede localizada no município de Tietê-SP. O contrato com a Prefeitura Municipal foi firmado no valor de R$ 3.079.994,40 (três milhões, setenta e nove mil, novecentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), tem validade de um ano.


A licitação prevê 19 itens: alergologia; pediatra; psiquiatria adulto; psiquiatria infantil; otorrinolaringologia; reumatologia; endocrinologia; cardiologia; clínico geral; cirurgia vascular / angiologia; neurologia; neurologia infantil; ginecologia; oftalmologia; ortopedia; fisioterapia; odontologia bucomaxilofacial; psicologia adulto; e psicologia infantil. 


Segundo a administração municipal, com a assinatura do contrato já formalizada em 22 de setembro, a empresa tem até 10 dias para iniciar os atendimentos em todas as unidades de saúde, incluindo o CAPS – ou seja, até o dia 06 de outubro (próxima terça-feira).