Médicos plantonistas de Itapuí estudam paralisar atendimentos no Hospital São José, após governo Clélia-Mecha acumular dois meses de salários atrasados

Médicos plantonistas de Itapuí estudam paralisar atendimentos no Hospital São José, após governo Clélia-Mecha acumular dois meses de salários atrasados

“Não recebemos ainda os plantões de Junho/26 e os plantões de Julho/26 que teria que ser pago até o dia 25 deste mês; não tem previsão de pagamento em dia. É um descaso do poder público perante nós, médicos, que estamos na linha de frente, atendendo a população de Itapuí e região com o maior cuidado e humanidade. Em troca de nosso atendimento profissional, o que temos é e esse descaso. A prefeitura ainda não se manifestou. Nós estamos nos organizando para parar os atendimentos nos próximos dias, caso a prefeitura não cumpra com o seu compromisso de nos pagar. Vamos atender só emergências.” - Médico plantonista de Itapuí, que terá a identidade preservada, em relato enviado ao Noticiantes.

 

A saúde financeira das Prefeitura Municipal de Itapuí, em meio ao segundo ano de governo da administração Clélia-Mecha, chegou ao seu declínio nesta semana. Depois de meses circulando rumores de dívidas com diversos fornecedores – com destaque para um episódio ocorrido em maio, quando postos de combustíveis da cidade ameaçaram paralisar o abastecimento da frota municipal, por conta de uma dívida acumulada no valor de R$ 200 mil – a crise financeira finalmente chegou ao serviço público tido por muitos como o mais essencial do município: a saúde.


Nesta terça-feira (11), em carta aberta enviada à população, os médicos plantonistas do município, que atendem no Hospital São José, informaram que estão sem pagamento de salário há quase dois meses. 


“Nós, médicos plantonistas que atuamos no Hospital de Itapuí, vimos a público manifestar nossa profunda insatisfação diante dos recorrentes atrasos no pagamento de nossos salários. Temos cumprido diariamente nossas responsabilidades profissionais, mantendo o atendimento à população e garantindo assistência médica mesmo diante das dificuldades enfrentadas. Entretanto, não consideramos mais aceitável a falta de compromisso da gestão com os profissionais que mantêm o serviço de saúde em funcionamento. O pagamento pelo trabalho realizado não é favor, mas uma obrigação. Os constantes atrasos geram insegurança, desgaste e demonstram desrespeito aos profissionais que seguem cumprindo seus plantões e assumindo a responsabilidade pela assistência à população. Queremos deixar claro que nosso compromisso com a população de Itapuí permanece. Nossos pacientes não são responsáveis por essa situação e merecem continuar recebendo atendimento digno, responsável e de qualidade”, diz o comunicado.


Em relato enviado à nossa reportagem, um dos médicos plantonistas disse que a categoria estuda a possibilidade de paralisar os atendimentos nos próximos dias, pois ainda não houve respaldo por parte da prefeitura. Caso isso ocorra, uma população formada por 13.659 habitantes (segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficará desassistida pelo serviço. 


“O compromisso precisa existir de ambas as partes. Assim como cumprimos rigorosamente nossas obrigações profissionais, exigimos que a gestão cumpra as suas. Diante da persistência dessa situação, manifestamos publicamente que não aceitamos mais a recorrência dos atrasos e a ausência de uma solução definitiva. Esperamos um posicionamento imediato da gestão, com a regularização dos pagamentos pendentes e, sobretudo, a garantia de que os próximos pagamentos sejam realizados dentro dos prazos estabelecidos. Seguiremos defendendo uma assistência médica de qualidade para a população de Itapuí, mas também o respeito, a valorização e os direitos dos profissionais que trabalham diariamente para que essa assistência seja possível”, finaliza a carta aberta dos plantonistas. 

 

Vereadores também cobram respostas


Os vereadores Juliano Maia (MDB) e Rita Xavier (PL) protocolaram requerimento na Câmara Municipal de Itapuí, pedindo explicações para a administração municipal sobre os atrasos no pagamento salarial dos médicos, além de solicitarem informações em relação à utilização dos recursos públicos destinados à Sociedade Beneficente Caminho de Damasco, administradora do Hospital São José. 
A Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD) gerencia, desde dezembro de 2025, os serviços de Atenção Primária à Saúde e o atendimento hospitalar no município de Itapuí, em parceria com a prefeitura. A instituição administra unidades de saúde da rede pública e o Hospital São José.

Ao Executivo, os parlamentares solicitaram:

•    Cópia integral do contrato, convênio, termo de parceria e respectivos aditivos firmados entre o Município de Itapuí e a Sociedade Beneficente Caminho de Damasco para a gestão ou prestação de serviços no Hospital de Itapuí;

•    Demonstrativo dos valores repassados pelo Município à entidade nos exercícios de 2025 e 2026, contendo datas, valores, empenhos, liquidações, pagamentos e respectivas fontes de recursos;

•    Informações se a empresa H2 Soluções em Saúde S.A., identificada pelos médicos como responsável pela operacionalização dos pagamentos, possui contrato ou qualquer vínculo com a Sociedade Beneficente Caminho de Damasco;

•    Informar qual é o fluxo dos recursos públicos destinados ao pagamento dos médicos, desde o repasse realizado pelo Município até o efetivo recebimento pelos profissionais, identificando os responsáveis em cada etapa.

•    Documentação que demonstre os pagamentos realizados aos médicos plantonistas em 2025 e 2026, indicando valores, períodos de referência, datas previstas para pagamento, datas efetivamente pagas e eventuais valores atualmente pendentes.

•    Informar se o município tinha conhecimento dos atrasos relatados pelos médicos e quais providências foram adotadas pela Administração para fiscalizar, cobrar a regularização e garantir a continuidade dos plantões e do atendimento à população.

•    Mecanismos de fiscalização são utilizados pelo município para verificar se os recursos públicos repassados à entidade estão sendo efetivamente aplicados na finalidade contratada, especialmente quanto ao pagamento dos profissionais responsáveis pelo atendimento médico.

“O presente requerimento decorre de manifestação dos médicos plantonistas do Hospital de Itapuí, que relatam atrasos recorrentes nos pagamentos pelos serviços prestados, apesar da continuidade dos plantões e do atendimento à população. A situação exige esclarecimentos desta Câmara Municipal por envolver serviço público essencial e recursos públicos destinados à saúde. Além disso, foi apresentada documentação que relaciona a Sociedade Beneficente Caminho de Damasco à H2 Soluções em Saúde S.A., sendo informado pelos profissionais que a H2 seria responsável pelos pagamentos dos médicos. O objetivo deste requerimento não é antecipar qualquer conclusão ou imputar irregularidade a qualquer entidade, empresa ou pessoa, mas permitir que esta Casa Legislativa exerça de forma efetiva sua função constitucional de fiscalização, verificando a correta aplicação dos recursos públicos e a regularidade da execução dos serviços contratados”, justificam Juliano e Rita.


Para os vereadores, “a eventual existência de atrasos na remuneração dos profissionais responsáveis pelos plantões pode comprometer a continuidade e a qualidade do atendimento médico oferecido à população de Itapuí”, finaliza o requerimento. 

 

Prefeitura de Itapuí


O Noticiantes entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Itapuí, através das Diretorias de Saúde e Finanças, pastas comandadas por Mariana Aparecida Finez Lanza e Paulo Sérgio Pichelli. A administração não respondeu nosso questionamento até o fechamento desta edição.

Segundo apurado por nossa reportagem, 11 médicos plantonistas estão com os salários atrasados. A prefeitura também não retornou os questionamentos da categoria.
Ainda conforme informações extraoficiais, a empresa H2, que realiza o pagamento aos médicos terceirizados, teria informado na tarde desta quinta-feira (13), que vai efetuar o pagamento referente a 40% do salário do primeiro plantão atrasado. Não há previsão para a liquidação do restante.