Sarna humana: Criança e profissionais de educação são afastados de escola; sala de aula é isolada por 72 horas em Itapuí

Sarna humana: Criança e profissionais de educação são afastados de escola; sala de aula é isolada por 72 horas em Itapuí

 

Os pais de alunos matriculados na Emeief Cara Pintada, de Itapuí, receberam, na última sexta-feira (21), um comunicado alertando para um caso de infecção de escabiose, doença popularmente conhecida como “sarna humana”, após um aluno da Cara Pintada infectado com a doença ter ido à escola. 

“Prezadas famílias. Informamos que foi identificado caso de escabiose (sarna humana) em nossa escola. Gostaríamos de tranquilizar a todos e reforçar que a situação está sendo acompanhada pela escola, com as orientações e medidas necessárias. A Vigilância Epidemiológica já foi comunicada, e estamos seguindo as recomendações dos órgãos de saúde”, diz o comunicado enviado pela Direção da escola Cara Pintada aos pais.


As famílias foram orientadas a observar sinais de coceira intensa, e pequenas lesões ou bolinhas na pele das crianças. Em caso de suspeita, a recomendação foi procurar atendimento de saúde para avaliação e tratamento.
A escabiose é uma doença de pele contagiosa causada por um ácaro parasita microscópico chamado Sarcoptes scabiei. Ele se aloja na camada superficial da pele, onde cava pequenos túneis para se alimentar e depositar seus ovos, provocando uma reação inflamatória intensa. A contaminação ocorre por meio de contato físico prolongado com uma pessoa infectada, pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou lençóis de uma pessoa com a infestação.
Nas redes sociais, a população de Itapuí manifesta vários questionamentos sobre o caso, como a limpeza e higienização da unidade, o isolamento do aluno infectado e se houve contaminação de outras crianças e profissionais de educação.
O Noticiantes entrou em contato via e-mail com a Diretoria Municipal de Educação de Itapuí, pasta comandada por Leila Aparecida Zenatti, com essas e outras indagações. Não obtivemos retorno da diretoria até o fechamento desta edição.


No final da tarde de segunda-feira (24), após publicarmos matéria sobre o caso nas redes sociais, a Prefeitura de Itapuí divulgou comunicado em vídeo nas redes sociais, com profissionais da Vigilância Epidemiológica comentando as medidas que foram tomadas. 
No comunicado, o setor confirma que além da criança, profissionais de educação também foram afastados do convívio escolar, indicando suposta transmissão da doença do aluno para os servidores. 

“Após serem verificados os casos, os profissionais e criança foram encaminhados para unidade de saúde. De acordo com as orientações de afastamento médico, permaneceram sem frequentar a escola. A Vigilância Epidemiológica esteve na Emeief Cara Pintada fazendo as orientações e os protocolos quanto às medidas de higiene em uma sala de aula específica do prédio. A sala manteve ventilação e foi isolada pelo período de 72 horas, bem como os acessórios, utensílios e adereços que as crianças tiveram contato também foram isolados, para que depois possam ser higienizados seguindo o protocolo e, assim, o ácaro não tenha condições de permanecer vivo no ambiente”, informa a equipe de Vigilância no vídeo.


 

Escabiose

A doença acontece a partir do momento que as fêmeas grávidas do ácaro penetram na pele, cavando túneis onde depositam de 2 a 3 ovos por dia durante cerca de 30 dias. Os ovos eclodem em aproximadamente 3 a 4 dias, liberando larvas que retornam à superfície para completar seu ciclo evolutivo. A presença do ácaro, ovos e excrementos provoca uma resposta imunológica intensa, resultando nos sintomas característicos da escabiose.
O tratamento da escabiose é focado em eliminar os ácaros sem causar danos à pele e deve envolver também medidas preventivas para evitar a reinfecção. Isso inclui o tratamento simultâneo de todas as pessoas que tiveram contato próximo com o paciente, a lavagem de roupas e roupas de cama em água quente, e a manutenção de boas práticas de higiene.


O período de incubação da escabiose é de cerca de 24 dias em infecções primárias, tempo necessário para que o sistema imunológico reaja ao parasita. Em casos de reinfecção, os sintomas podem aparecer em 24 horas, devido à sensibilização prévia do organismo ao ácaro.
O sintoma mais comum e característico é a coceira intensa, especialmente à noite, acompanhada por erupções cutâneas e túneis visíveis como linhas acinzentadas na pele. As lesões incluem pápulas eritematosas (pequenas elevações sólidas), vesículas e crostas resultantes do ato de coçar. 
A primeira linha de tratamento consiste no uso de permetrina tópica 5%, que deve ser aplicada em todo o corpo, exceto no rosto e couro cabeludo. A aplicação é feita à noite e deve ser repetida após uma semana para garantir a eliminação dos ácaros, especialmente os que eclodem a partir dos ovos que não foram atingidos na aplicação inicial.