Operação Intercâmbio: Ação integrada do MP, Polícia Civil e Polícia Militar desmantela esquema de “república do tráfico” que aliciava menores; treze são presos em Bariri e Ribeirão Preto

Operação Intercâmbio: Ação integrada do MP, Polícia Civil e Polícia Militar desmantela esquema de “república do tráfico” que aliciava menores; treze são presos em Bariri e Ribeirão Preto

Duas operações simultâneas ocorridas no início da manhã desta quinta-feira (27), em Bariri, movimentaram a cidade e deixaram munícipes assustados com a movimentação repentina nas primeiras horas do dia.

Por volta de 6h, uma ação integrada do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), movimentou agentes da Polícia Civil e Polícia Militar, incluindo apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) e Helicóptero Águia.

A Operação Intercâmbio foi comandada pelo Promotor de Justiça dr. Nelson Aparecido Febraio Junior; Delegado dr. André Ferreira de Almeida (Polícia Civil); e Capitão Amauri dos Santos Manzutti Junior (Comandante da 13ª Companhia do 27º Batalhão da Polícia Militar do Interior). 
A ação desarticulou um grandioso esquema de tráfico de drogas, que acontecia de forma simultânea em Bariri e Ribeirão Preto. O líder do esquema, natural de Bariri se mudou para Ribeirão Preto. De lá, comandava a ação criminosa que envolvia o aliciamento de menores de idade para o tráfico de drogas. 
Aproximadamente 70 policiais foram mobilizados no cumprimento de 13 mandados de prisão, sendo 30 policiais civis e 40 policiais militares. Doze pessoas foram presas em flagrante em Bariri e dois menores de idade também foram apreendidos no município. O líder foi preso temporariamente em Ribeirão Preto, totalizando 13 prisões. 


“A situação que foi identificada foi uma situação peculiar, por isso exigiu o esforço das instituições, uma atuação conjunta do Ministério Público, da Polícia Civil e da Polícia Militar. Foi identificado que determinada pessoa aqui do município teria se mudado para Ribeirão Preto e, essa pessoa, em Ribeirão Preto, estaria arregimentando menores de idade lá em Ribeirão e trazendo para Bariri. Alugou uma casa na cidade de Bariri, onde esses menores ficavam em uma situação bem vulnerável. A casa não tinha nenhuma estrutura, apenas um colchão no chão para que os meninos ficassem. Eles ficavam únicos e exclusivamente para fazer turno de tráfico de drogas. Então esses menores eram trazidos para cá, ficavam nessa espécie de república do tráfico. Eles ficavam ali em turnos ininterruptos de 24 horas por dia. A escala de plantão deles foi identificada; faziam escalas para evitar a abordagem em troca de plantão, contabilidade da droga, balanço do dia da venda de substâncias entorpecentes”, explicou Dr. Nelson.

 

Segundo o promotor, a investigação identificou expressiva venda de substâncias entorpecentes com adolescentes reportando a venda de quase mil pinos de cocaína por turno. Alguns dos menores aliciados inclusive estavam em registros de boletins de ocorrência por desaparecimento.

“Eles eram trazidos para Bariri sem nenhum conhecimento dos pais. Sem os genitores saberem, eram inseridos na criminalidade do tráfico de drogas. Essa operação identificou ainda outras possíveis pessoas também ligadas ao tráfico na cidade, que estariam aliciando menores para o tráfico. Percebemos que eram feitas rápidas substituições. Colocavam dois adolescentes na casa; o adolescente era preso e substituído por outro. Era uma mão de obra muito fácil de substituir. A gente identificou, inclusive, que esses adolescentes recebiam um pequeno percentual pela venda que faziam”, completa o promotor. 


O delegado dr. André Ferreira disse que os agentes da Polícia Civil trabalharam inclusive fora da jornada normal de trabalho para levantar todos os endereços desta operação. 

“Fizeram um excelente relatório também com o apoio dos policiais militares, já que trabalhamos em conjunto. Foram levantados 13 endereços em Bariri, além de mais essa situação do líder em Ribeirão Preto. Logramos êxito no dia de hoje; bastante droga foi apreendida e essas pessoas presas. Só temos a agradecer a colaboração do Ministério Público e da Polícia Militar. Unidos somos mais fortes, não existe dúvida nesse sentido. Hoje foi um dia histórico. Acredito que o crime organizado sofreu grandes baixas no dia de hoje”.


Fazendo coro às palavras do delegado, o Capitão Amauri Manzutti ressaltou a importância do trabalho conjunto dos órgãos no município.

“Uma operação integrada. Um duro golpe ao tráfico em Bariri. Isso é muito bom para o nosso município, essa operação integrada com o Ministério Público, com a Polícia Civil. É parte da Polícia Militar. Nós contamos com o efetivo nosso aqui de Bariri, da terceira companhia, do 13º BAEP, Canil, do helicóptero Águia, do grupamento aéreo, que pôde fazer toda essa parte de operacionalização, tendo atuado também no levantamento criminal durante os preparatórios. Como o doutor já colocou, esse trabalho integrado entre as instituições tem feito a diferença no nosso município”


Até o fechamento desta edição, apenas uma pessoa estava foragida. Os 12 presos em Bariri foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária de Jaú (CPJ).

 

Origem da apuração

Segundo dr. Nelson, o Ministério Público deu início à investigação através de um levantamento de números e estatísticas do tráfico de drogas. A Promotoria identificou uma alta incidência da atividade ilícita em uma região específica da comarca, região dos altos da cidade. 


Com isso, o MP passou a levantar os números, analisar os boletins de ocorrência, identificar uma forma sistemática do esquema criminoso. Passaram então a ter como prioridade a identificação do líder, já que a “mão de obra”, ou seja, os adolescentes aliciados, estava sendo substituída muito rapidamente. Toda a investigação levou cerca de dois meses.

 

Prisões e apreensões

O homem preso em Ribeirão Preto, Davi Gonçalves, apontado como líder do esquema de tráfico de drogas e aliciamento de menores, é indivíduo conhecido nos meios policiais.


Já em Bariri, em uma residência no bairro Vila Maria Luzia II, uma mulher correu até o banheiro e dispensou entorpecentes no vaso sanitário. Parte do material permaneceu no local, sendo possível apreender cinco pedras de crack.

Também foram localizados dois aparelhos celulares e R$ 766,50 em dinheiro e moedas. Já em buscas realizadas em outra residência, no Jardim Iguatemi, foram localizados entorpecentes, dinheiro, aparelhos celulares, máquinas de cartão e materiais utilizados para o fracionamento, acondicionamento e comercialização de drogas.